Se dorme com revólver, Bolsonaro não confia na guarda palaciana

Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia diz que a afirmação do presidente Jair Bolsonaro, de que dorme com uma arma ao lado da cama, "é uma confissão desalentadora. O chefe do estado admite que o estado que dirige não garante a segurança, que é seu dever constitucional, nem do presidente da República"; "A segunda constatação é que ele fez uma eficiente propaganda de armas, o que é proibido por lei. Não foi nem propaganda, foi merchandising, foi testemunhal", ressalta 

Se dorme com revólver, Bolsonaro não confia na guarda palaciana
Se dorme com revólver, Bolsonaro não confia na guarda palaciana (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela DemocraciaFiquei atônito com a declaração de Jair Bolsonaro de que dorme com uma arma ao lado da cama no Palácio da Alvorada, durante o café da manhã com jornalistas. Em meus 60 anos de Brasil nunca ouvi um presidente dizer algo assim em público.

Algumas questões perturbadoras: 1) se o presidente da República se sente inseguro dentro do palácio guardado por mais de 100 funcionários como ficamos nós? Podemo-nos sentir seguros em nossas casas? 2) ele tem algum motivo real para supor que possa ser atacado enquanto dorme? Algo semelhante aconteceu em maio de 1938, quando um grupo de integralistas invadiu o Palácio Guanabara, de madrugada, para matar Getúlio.

É uma confissão desalentadora. O chefe do estado admite que o estado que dirige não garante a segurança, que é seu dever constitucional, nem do presidente da República.

A segunda constatação é que ele fez uma eficiente propaganda de armas, o que é proibido por lei. Não foi nem propaganda, foi merchandising, foi testemunhal – divulgado em todos os meios de comunicação do país. A procura por armas certamente vai aumentar.

Alguém poderá dizer que ele passou a campanha inteira fazendo propaganda de armas, o símbolo da campanha era um revólver, mas uma coisa é fazer isso enquanto candidato e outra enquanto presidente da República. Presidentes da República são exemplos para os demais cidadãos.

Não sei se foram palavras de um paranoico ou de um garoto-propaganda de armas, ou de um garoto-propaganda de armas paranoico. Mas sei que nem um nem outro fazem bem ao país quando viram presidentes da República.

Na hora em que rolava essa conversa em Brasília, ex-alunos da Escola Raul Brasil, travestidos em serial killers, mataram, em Suzano, ex-colegas e funcionários, num bárbaro massacre.

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