Se prendem Mantega têm que prender, Temer, Cunha e Renan

(Foto: Alex Solnik)

O porta-voz dos procuradores do MPF afirmou que o motivo principal da prisão de Mantega foi a delação espontânea de Eike Batista, segundo a qual Mantega teria pedido 5 milhões a ele em 2012, para quitar dívidas de campanha, dinheiro esse que Eike depositou numa conta no exterior de Mônica Moura, a mulher de João Santana.

Se ele delatou isso espontaneamente, o que não vai delatar se for em troca de um prêmio?

Ora, ora. Se foi mesmo por isso que os agentes da Polícia Federal puseram as mãos em Mantega em pleno hospital Albert Einstein onde sua mulher, em tratamento de câncer, estava se preparando para uma cirurgia eles teriam a obrigação de também prender Temer, Cunha e Renan porque mais de um delator já declarou que eles pediram e receberam dinheiro do escândalo Petrobrás.

E de forma muito mais substanciosa, com gravações, inclusive.

Em Temer e em Renan, já sabemos, eles não podem tocar porque estão protegidos, nessa Guerra das Estrelas, pelo "Foro Privilegiado", uma excrecência respaldada pelo STF que nenhuma democracia que se dê ao respeito deveria adotar.

Mas Cunha está aí dando sopa.

E, convenhamos, se Mantega caiu nas garras da República de Curitiba por causa de um depoimento sem provas, pois, até onde se sabe, não há uma gravação ou papel assinado do pedido invocado por Eike, há muito mais motivos e muito mais provas para colocar Cunha no xadrez. Sem contar que Cunha tem muito mais expertise de esconder provas e coagir testemunhas do que Mantega.

Ou o porta-voz quer jogar fumaça nos olhos do distinto público, e o motivo principal da prisão de Mantega não é esse ou Cunha tem que ser preso imediatamente.

Mas por que prendem Mantega e não prendem Cunha? Talvez porque Cunha seja tratado como cachorro morto, sem nenhuma influência política mais.

Prender Cunha não teria nenhum significado, seria um gesto vazio, um tiro n'água, enquanto prender Mantega é dar um soco no fígado de Lula e do PT em plena reta final das primeiras eleições depois do golpe parlamentar das forças reacionárias.

E é também fazer justiça com fins políticos.

Depois de afastar Dilma, as tarefas dos golpistas agora são impor uma fragorosa derrota ao PT nas eleições de outubro, a curto prazo e inviabilizar a candidatura Lula em 2018, a médio prazo.

A longo prazo, ficar no poder até ao menos 2022.

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