Segue a escalada fascistizante

Apesar da crise, o cenário não está tão ruim para Bolsonaro e parece que a tática de manter a polarização e seus seguidores mobilizados têm surtido efeito

(Foto: Divulgação)

A crise de Bolsonaro com o PSL está dentro da sua estratégia de poder autoritária, pois esta reafirma seu desprezo pelo sistema político-partidário e, por óbvio, pela democracia. Nada de novo numa conjuntura de caráter fascistizante.

Logo, apesar da crise, o cenário não está tão ruim para Bolsonaro e parece que a tática de manter a polarização e seus seguidores mobilizados têm surtido efeito. É o que revelam as últimas pesquisas de avaliação do governo federal (Veja/FSB e XP), onde Bolsonaro mantém consolidados os 30% de aprovação e, numa projeção eleitoral para 2022, venceria em todos os cenários, inclusive com melhor desempenho que os demais candidatos no primeiro turno, mesmo estes sendo Moro ou Lula.

A convocação de Olavo de Carvalho a Bolsonaro para assumir plenos poderes, se apoiando nas Forças Armadas (FFAA) e na mobilização de sua base social, depois ecoada nas redes como um chamado a um novo AI-5 não deve ser subestimada, pois revela o quanto o bolsonarismo tem como estratégia a subversão do regime político. O que fica claro é que, seguindo as lições de Steve Bannon e Trump, o bolsonarismo aposta na mediação direta com seus "seguidores" através das redes sociais.

Em princípio, parece não haver perigo imediato de tentativa de golpe ou autogolpe. Nenhuma fração importante do que resta da burguesia nacional considera a possibilidade de fechamento de regime para garantir a aplicação do receituário ultraliberal. Entretanto, diminuir o perigo que o governo Bolsonaro representa para as liberdades democráticas e para a soberania é de uma miopia política e de uma irresponsabilidade gravíssimas. A fascistização não deve e não pode ser ignorada.

Logo, essa realidade desafia as forças democráticas a pensarem os caminhos de superação da conjuntura fascistizante. As oposições não podem ficar apenas no movimento de resistência, nem de se preocupar em manter os outros 30% do eleitorado, bem como os outros 30% de centro que estão em disputa. É preciso projetar e pensar alternativas para a retomada de uma democracia forte entre nós.

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