Sem inimigos externos, capitão agora declara guerra ao Nordeste e à Amazônia

O colunista Ricardo Kotscho, do Jornalistas Pela Democracia, afirma que Bolsonaro inventa inimigos na falta de um real. Ele diz: "Como não conseguiu invadir a Venezuela nem transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, decidiu declarar guerra aos governadores do Nordeste, aos índios, ribeirinhos e ao que restou da floresta amazônica, depois de sete meses de desmatamento acelerado."

(Brasília - DF, 06/08/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro durante partida para São Paulo.\rFoto: Marcos Corrêa/PR
(Brasília - DF, 06/08/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro durante partida para São Paulo.\rFoto: Marcos Corrêa/PR (Foto: Marcos Correa)

Por Ricardo Kotscho, para o Jornalistas Pela Democracia - Sabemos que os militares em geral estão sempre em busca de uma boa guerra para justificar sua existência.

Nosso capitão-presidente não foge à regra. Está todo dia só em busca de conflitos com meio mundo, aqui mesmo.

Como não conseguiu invadir a Venezuela nem transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, decidiu declarar guerra aos governadores do Nordeste, aos índios, ribeirinhos e ao que restou da  floresta amazônica, depois de sete meses de desmatamento acelerado.

Inimigo juramentado da ciência, da cultura e das leis, liberou as armas e as moto-serras, e avança com suas tropas sobre a única região do Brasil que não controla, os nove estados do Nordeste, governados pela oposição.

Em sua segunda visita ao Nordeste em menos de um mês, ele disparou para todo lado, afirmando que governadores da região “fazem politicalha” e querem criar “uma nova Cuba”, segundo o relato de João Pedro Pitombo, na Folha.

Depois do áudio que vazou num café com jornalistas, há duas semanas, em que ameaçou retaliar os governadores “de paraíba” que não seguem suas ordens de comando, B. foi a Brumadinho, na Bahia, para desafiar seus desafetos:

“Não estou aqui com colegas nordestinos para fazer média. Mas não existe esta questão de preconceito. Eu tenho preconceito é com governador ladrão que não faz nada para o seu estado”.

Covarde que é, mesmo cercado sempre por um batalhão de seguranças, o capitão não deu o nome do “governador ladrão” e fez uma ameaça aos demais na base do “dá ou desce”, no linguajar da caserna, “para que não façam politicalha perante a minha pessoa”.

“Não vou negar nada para o estado. Mas se eles quiserem que realmente isso tudo seja atendido, eles vão ter que falar que estão trabalhando com o presidente Jair Bolsonaro”.

A República Federativa do Brasil virou a República da Família Bolsonaro como se tivesse recebido nas urnas uma fazenda de porteira fechada para fazer o que bem entender.

O aprendiz de ditador não mede mais as palavras que vai atirando a esmo e acusou a “esquerda canalha” de querer dividir o país.

“Para alguns governadores, é o Nordeste e o resto. Querem fazer disso uma Cuba? O Brasil é um só, não queiram dividir regiões”.

Mas é exatamente isso que ele está fazendo ao se rebelar contra o Consórcio Nordeste, formado pelos governadores da região, para fazer parcerias em busca de sobrevivência, já que o governo federal e a Caixa Econômica cortaram brutalmente os recursos para estes estados.

Diante da ofensiva das forças federais capitaneadas pelo capitão, com a retaguarda dos generais de pijama, os governadores do Nordeste fizeram muito bem em ignorar as declarações do presidente.

Aliás, é isso que todos deveríamos fazer, para não dar mais corda a esse napoleão reformado, que quer se vingar da sua vida fracassada no Exército, de onde foi convidado a se retirar, e na Câmara, onde nunca conseguiu sair do baixo clero.

“Eu, Johnny Bravo, Jair Bolsonaro ganhou, porra”, gritou para os jornalistas que queriam entender o que estava acontecendo.

Para Johnny ou Jair, qualquer pergunta é uma ofensa pessoal.

Melhor deixar o dito cujo falando sozinho e cuidar da vida.

E vida que segue.

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