Sem mimimi, quem vai tirar o bode da sala?

Jornalista Florestan Fernandes Júnior avalia a situação política do ex-juiz da Lava Jato e ministro da Justiça, Sérgio Moro, que tem sido alvo de humilhaões e derrotas por Jair Bolsonaro; "Hoje o que não faltam são motivos para Sergio Moro pegar o boné e voltar pra casa. Dizem que ele estaria negociando sua ida para a equipe do amigo governador, João Doria. Sem mimimi, vamos aguardar pra ver, como aconselharia dona Rosângela Moro", escreve Florestan

Por Florestan Fernandes Júnior, para o Jornalistas pela Democracia 

"Parem de reclamar e esperem para ver a que veio esse novo governo. Redução de custos (do seu $$), corte de despesas desnecessárias, zero propina. Chega de mimimi. Apenas espere e assista!" A frase presunçosa da mulher de Moro, Rosângela, foi postada nas redes sociais em 8 de janeiro deste ano.  

Nestes oito meses, assistimos estarrecidos aos diálogos nada "legais" do marido dela com os procuradores da Lava Jato. Conversas que comprometem não só a operação que culminou com a prisão do ex-presidente Lula como a própria lisura da eleição de Bolsonaro, de quem Moro ganhou um ministério e a promessa de uma vaga no Supremo.  

Vimos também a submissão de Sergio Moro ao clã Bolsonaro blindando as investigações que envolvem suposto desvio de dinheiro público no gabinete de Flávio Bolsonaro. Nada fez para esclarecer a movimentação financeira atípica de Fabrício Queiróz, ex-assessor de Flávio.  

Nada transparente, Sergio Moro se recusou a atender pedido feito pela Folha de São Paulo, via Lei de Acesso à Informação, dos documentos que repassou ao presidente com informações das investigações feitas pela PF sobre os as candidaturas laranjas do PSL.  

O "congê" de dona Rosângela demonstrou despreparo para o importante cargo que ocupa. Seu projeto anticrime, por exemplo, está travado na Câmara. Especialistas disseram que o projeto pode ser um retrocesso na proteção da mulher contra agressões e contra o feminicídio. Entre outras coisas, por permitir que se invoque a “violenta emoção” como legítima defesa. Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) considerou inconstitucionais algumas medidas apresentadas no texto de Moro. Ainda sobre o projeto, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) criticou a ausência de medidas para o enfrentamento da corrupção policial.  

Enfraquecido, Sergio Moro é apenas uma sombra do juiz herói construído pela mídia nos últimos quatro anos. De avalista moral de Bolsonaro, passou a ser devedor do presidente por ainda permanecer no cargo. Seu ministério perdeu o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para Paulo Guedes e também o comando da PF. O recado veio esta semana da boca do próprio Bolsonaro que afirmou que o diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo é subordinado a ele e não ao ministro da Justiça e da Segurança Pública.  

Preocupado com o desgaste do ministro, um site de extrema-direita chegou a pedir que Bolsonaro demita Sergio Moro e pare de constrangê-lo publicamente.  

Hoje o que não faltam são motivos para Sergio Moro pegar o boné e voltar pra casa. Dizem que ele estaria negociando sua ida para a equipe do amigo governador, João Doria. Sem mimimi, vamos aguardar pra ver, como aconselharia dona Rosângela Moro.

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