Sentença de morte política bolsonarista

"Por que Bolsonaro não estava lá? Fundamentalismo religioso. Misturou política e religião. Desconsiderou o Brasil como Estado laico. Não soube separar joio do trigo".

(Foto: Osid | Marcos Corrêa/PR)

Que mancada essa do presidente Bolsonaro não ter ido a Roma participar da canonização de Irmã Dulce, nova Santa brasileira! Será que se deixou influenciar pelo radicalismo político do general Augusto Heleno, adversário do papa Francisco, na controvérsia sobre a Amazônia?  

Claro, os baianos e os nordestinos, cheios de tradição religiosa, estão decepcionados.  Será que se sentirão representados por ele na Presidência da República, a partir de agora?  E o resto do Brasil, também, não estaria com mesmo estado de espírito diante do presidente, completamente, insensível?  

O rei Charles, da Inglaterra, estava lá.  Imagine se não estivesse, no momento de canonização de Santo inglês, tal como Santa Dulce!  Seria desmoralização total da monarquia inglesa, ao desprezar um símbolo da bondade popular diante da qual Roma se rende, misericordiamente.  

Por que Bolsonaro não estava lá?  Fundamentalismo religioso.  Misturou política e religião.  Desconsiderou o Brasil como Estado laico.  Não soube separar joio do trigo.  Desrespeito total à variedade de cultos religiosos existentes em terra brazilis, país multicultural, multirracial, mas com uma só alma, a brasileira.  

Não conseguiram os colonizadores, ainda, introduzir o separatismo por aqui, embora tenham sido múltiplas as tentativas nesse sentido desde o descobrimento pelos portugueses, em 1500.  

Faltou visão de estadista ao presidente capitão, o que não deixa de ser desmoralização para seus colegas de farda que ditam as regras no poder bolsonariano.  Preferiu tomar partido dos evangélicos, base de sustentação do PSL, politicamente em frangalhos, eivado de suspeições de corrupção, subjugado pela ganância de verbas partidárias etc. e tal.  

Pegou mal a ausência do presidente, ao menosprezar a primeira Santa brasileira, prestigiada em todo mundo.   

Imagine o reflexo político-cultural-religioso no sentimento nacional dessa barbeiragem política bolsonarista radicaloide!  

Que aliados se disporão a se alinhar ao lado do presidente que menosprezou esse fato histórico relevante que sacode a alma popular?  Os aliados, de olho no coração e mentes emocionados dos fiéis, magoados com a insensatez presidencial, fugirão dele como diabo da cruz.  

Seria como se chefe de Estado fosse ao Ceará jogar pedra na estátua de Padre Cícero!  Bolsonaro, no país com maior população católica do mundo, assinou, com sua ausência, hoje, em Roma, sua sentença de morte política.

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