Sérgio Cabral em vingança demite 700 e a máquina e o povo que se danem

Um governador de estado deve manter um equilíbrio extra. Principalmente diante de provocações, contestações e dificuldades institucionais

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Deve haver quem ache normal um governador de estado demitir 700 funcionários numa canetada para se vingar de um partido político. Positivistas roxos diriam: – ué, isso é problema dele, se ele tem o poder, pode fazer.

Mas há outras implicações que precisam ser analisadas. Tudo começa com uma desavença triangular entre Cabral, PT e o garoto propaganda das caras pintadas que deu certo Lindbergh Farias. Petistas iam ficar no governo carioca até 31 de março, conforme acordo costurado por Lula, e decidiram sair antes. Aí Cabral, possesso, resolveu demitir 700 ligados ao PT.

Há diferença entre a atitude de petistas, tempestuosa que seja, e a de um governador de estado? Claro que há. Pessoas, sejam de que partido for, "podem" cometer atos discutíveis ou até apressados. Errados mesmo. Mas um governador de estado deve manter um equilíbrio extra. Principalmente diante de provocações, contestações e dificuldades institucionais.

Anuncia-se que agora os cargos vagos serão preenchidos por cabos eleitorais de Luiz Fernando de Souza, vulgo "Pezão", meio candidato a governador do Rio pelo PMDB, além do fatiamento de cargos a outros partidos-amigos.

O que fica numa leitura menos óbvia é uma certa promiscuidade com distribuição, loteamento, presente de cargos públicos. E a máquina que se dane, o funcionamento que se dane, o patrocinador financeiro da festa – o povo - que se dane. A política continua a espumar esses exemplos baixos e vis, de trenzinhos e troca-trocas eleitoreiros. Podia haver um mínimo de compostura e ética na política, não é verdade? Mas ela é olímpica, não se abate com nada e faz o que quer.

Do blog Observatório Geral

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