Sérgio Moro, o lobo na coleira

"Não fiquem boquiabertos, se Bolsonaro conservar o ex-juiz em banho-maria até lançá-lo como vice, em sua chapa para a reeleição, tornando-o cada vez mais domesticado, dócil, e mais digerível que o vice atual, o Mourão", diz Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia sobre a fritura a que Moro vem sendo submetido

Sergio Moro e Jair Bolsonaro
Sergio Moro e Jair Bolsonaro (Foto: Carolina Antunes/PR)

Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia - Vou desafinar o coro dos contentes. Não acredito na queda do ministro Sergio Moro para os próximos dias, como vêm alardeando a maioria dos comentaristas. Tenho alguma informação privilegiada sobre isto? Não. Nenhuma. Bola de cristal? Tampouco. Então, por que arriscar um palpite que pode ser atropelado por uma demissão sumária, desmentindo a “previsão” acima? 

Porque embora a política tenha lá as suas manhas, e os “fritados” tendem a pedir para sair ou serem saídos, e o (infelizmente) presidente tenha abusado do direito de humilhá-lo em público – imaginem no privado –, não é assim que agem os “Capos”. 

No mundo do crime organizado, da máfia, do tráfico e de outras organizações “do mal”, há uma lei básica. Quem entra não sai. 

Primeiro, porque detêm informações preciosas, que se levadas a público decepam a cabeça da organização. Segundo, porque neste caso específico, Moro entrou no governo para cacifá-lo e reforçar o apoio da massa embevecida com a política de “Coliseu”, levada a cabo pela operação Lava-Jato. 

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)

Hoje, quando nos salões ninguém admite, mas já aparecem nas pesquisas o exército de arrependidos do seus votos, e dos 38% que o vinham aplaudindo, apenas 29% dão apoio incondicional a Bolsonaro, o ex-juiz ainda detém uma pequena parcela de “moralistas” desinformados que o seguem, e consideram um sucesso as suas manobras para colocar o ex-presidente Lula na cadeia. Por fim, e muito importante: é assim que agem os “Capos.” Transformam em capacho, cãozinho de estimação, os que um dia ousaram fazer-lhe sombra. 

Não se surpreendam se Bolsonaro conservar Moro no cargo, trazendo-o à cena preso a uma coleira. Assim, garante que o dossiê sobre a morte de Marielle Franco, estacionado na mesa de Moro continue lá, empoeirado. Consegue que as investigações sobre o filho Flávio, que foram travadas a pedido, na Polícia Federal do Rio, sobre transações de imóveis antes da eleição a deputado estadual, continuem assim, travadas. E, ainda, que ele não atrapalhe a sua relação com o Congresso, esperneando por vetos à Lei de Abuso. 

Por último, caros amigos, não fiquem boquiabertos, se Bolsonaro conservar o ex-juiz em banho-maria até lançá-lo como vice, em sua chapa para a reeleição, tornando-o cada vez mais domesticado, dócil, e mais digerível que o vice atual, o Mourão. Aquele que  precisa ser mantido à distância, preso na torre, para não vir ao para o centro do poder. (A propósito, para nossa felicidade).

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)

Conheça a TV 247

Mais de Blog

Jandira Feghali

O massacre como política

Quem deterá o governador Witzel? Com certeza não será sua humanidade, já que comprovou não lhe restar nenhuma. É preciso transformar nossa indignação em protestos e ações institucionais e políticas...

Ao vivo na TV 247 Youtube 247