Serraglio recebeu propina do "grande chefe"?

Por que Serraglio defendeu com unhas e dentes a manutenção do “grande chefe” no ministério e apoiou a sua recondução? Serraglio sabia que o “grande chefe” mandava liberar carne estragada? Se os fiscais recebiam propina dos frigoríficos e a repassavam aos políticos que os indicaram, Serraglio recebeu propina do “grande chefe”? Convém manter no Ministério da Justiça alguém que protegeu o chefe dos fiscais corruptos que liberavam carne estragada para a população brasileira e mundial?; perguntas essenciais feitas pelo colunista Alex Solnik

07/02/2017-Brasília- DF, Brasil- Cerimônia de Posse dos Ministros da Justiça e Segurança Pública, Osmar Serraglio, e das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. Fotos: Beto Barata/PR
07/02/2017-Brasília- DF, Brasil- Cerimônia de Posse dos Ministros da Justiça e Segurança Pública, Osmar Serraglio, e das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. Fotos: Beto Barata/PR (Foto: Alex Solnik)

Essa história da carne fraca está apenas começando.

   Ainda tem muito segredo para revelar.

   O que se sabe até agora é que 33 fiscais do Ministério da Agricultura do Paraná, nomeados por deputados federais concediam o selo de qualidade aos frigoríficos em troca de propina que dividiam com seus padrinhos.

   Sem fiscalizar porcaria nenhuma.

   O que se sabe até agora é que o chefe dos fiscais corruptos, Daniel Gonçalves Filho, foi flagrado em grampo da PF em conversa com o atual ministro da Justiça e então deputado federal Osmar Serraglio, eleito em campanha financiada pelo agronegócio, que o chamou de “grande chefe” e pediu para verificar o que havia em relação a um frigorífico chamado Larissa – agora denunciado pela PF.

   Hoje, a coluna do jornalista Josias de Souza relata episódio em que Serraglio defendeu enfaticamente a permanência do apadrinhado quando a então ministra da Agricultura Kátia Abreu, ainda no governo Dilma, quis demiti-lo.

   Apesar da discordância de Serraglio, que não mudou de posição nem mesmo depois de ler o relatório em que o sujeito era acusado de proteger um colega que praticava ilícitos, Kátia o mandou embora.

   Mas ele voltou com o ministro de Temer, Blairo Maggi, provavelmente com o apoio de Serraglio.

   Algumas perguntas insistem em não se calar.

   Por que Serraglio defendeu com unhas e dentes a manutenção do “grande chefe” no ministério e apoiou a sua recondução?

   Serraglio sabia que o “grande chefe” mandava liberar carne estragada?

   Se os fiscais recebiam propina dos frigoríficos e a repassavam aos políticos que os indicaram, Serraglio recebeu propina do “grande chefe”?

   Convém manter no Ministério da Justiça alguém que protegeu o chefe dos fiscais corruptos que liberavam carne estragada para a população brasileira e mundial?

   E – last but not least – por que a PF não investiga de que “carne” são feitos os hamburgers do McDonald’s?

  

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