Sesc do Piauí quer escola militar da nova ordem batizada por Bolsonaro

Jornalista Ricardo Kotscho critica o convite feito a Jair Bolsonaro pelo presidente do conselho regional do Sesc do Piauí, Valdeci Cavalcante, para batizar com o nome dele uma escola militar que será aberta na cidade de Parnaíba; "Se aceitar a honraria, quem sabe o capitão não compareça com sua faixa presidencial para fazer uma especial deferência", diz Kotscho

(Foto: Divulgação/Ascom Valdeci Cavalcante)

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia 

Valdeci Cavalcante é o nome dele.

Trata-se do presidente do conselho regional do Sesc do Piauí, desde já um candidato forte ao premio de “sabujo do ano”.

Saiu do anonimato graças a quatro notas publicadas nesta segunda-feira na coluna de Mônica Bergamo.

“O presidente está salvando o Brasil da deterioração. Ele representa para as pessoas de bem um símbolo de restauração”, disse Cavalcante, ao justificar o convite feito a Jair Bolsonaro para batizar com o nome dele uma escola militar que será aberta na cidade de Parnaíba.

Se aceitar a honraria, quem sabe o capitão não compareça com sua faixa presidencial para fazer uma especial deferência.

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O presidente do Sesc foi ainda mais longe em sua sabujice ao justificar a homenagem:

“Não estamos homenageando o Bolsonaro. Ele é que irá nos homenagear se aceitar colocar seu nome em nossos anais”.

Desconhece-se o conteúdo desses anais, mas Cavalcante é um homem de visão, de acordo com a modernidade dos novos tempos anunciados pelo MEC da academia olavista de filosofia e astrologia.

Por isso, esta não será uma escola qualquer. Entre as suas disciplinas, haverá uma de educação moral e cívica, como na época da ditadura militar.

Também não é qualquer um que poderá lecionar nesta escola.

“Esta aula será ministrada por oficiais das Forças Armadas e da Polícia Militar, além de empresários e trabalhadores de bons costumes. Os estudantes vão aprender sobre civismo, patriotismo, disciplina e a respeitar os símbolos nacionais”.

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O discurso é patriótico e ufanista, mas não chega a ser uma grande novidade, pois isso já era ensinado aos jovens da Alemanha, na década de 30 do século passado.

Que maravilha… E quem fará o currículo dos bons costumes destas pessoas de bem?

Modéstia à parte, Cavalcante não quer se limitar aos limites do Piauí. Ele acredita que a escola poderá servir de modelo para outros estados. Não duvido.

Entusiasmado com a ideia, conta que “mais de 600 pais já demonstraram interesse em matricular seus filhos nela”, mas não disse como será feita a seleção.

O prefeito de Parnaíba, a cidade contemplada com a escola, é o inacreditável Mão Santa, um médico folclórico, que já foi governador do Piaui.

Agora, o estado é governado há muitos anos por Wellington Dias, do PT, que já está em seu quarto mandato e é um dos líderes do Consórcio do Nordeste formado com outros oito governadores da região.

Diante desta singela homenagem ao presidente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, que prometeu “passar o facão” no sistema “S”, deverá pensar duas vezes antes de cortar verbas do Sesc do Piaui.

Cavalcante pode não ler jornais, como Jair Bolsonaro, mas sabe o que faz. De bobo não tem nada.

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