Sete anos sem Hugo Chávez: ideias imortais!

As conquistas de Hugo Chávez jamais serão esquecidas e ainda aquecem os corações venezuelanos que lutam contra sanções absurdas e abusivas ditadas pelo interesse do capital estadunidense. A luta continua sob a figura não tão firme e aguerrida de Nicolás Maduro, que sofre com tentativas de desmoralização e golpes, mas ainda resiste

(Foto: Reuters)
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Neste dia 5 de março, há sete anos, morria Hugo Chávez. Mais do que um político, um ser humano de grande coração. Humano preocupado com o bem-estar social, que olhava para as minorias e lutava contra a desigualdade. Talvez por isso mesmo tenha sido estigmatizado como um “ditador” pela mídia hegemônica e corrompida ao grande capital.

Neste dia de memória pelo eterno comandante boliviano, recomendo dois livros: “Comandante – a Venezuela de Hugo Chávez”, de Rory Carroll, e “Hugo Chávez – da origem simples ao ideário da revolução permanente”, de Bart Jones. Destes, extraio alguns trechos importantes que ajudam a entender a força do chavismo.

A propaganda negativa do regime bolivariano de Hugo Chávez, até a proposital desvalorização do petróleo – base da economia deste país – tentaram a todo custo fazer com que a população desacreditasse no governo e ficasse contrária a suas políticas. A perseguição sempre foi companheira de Chávez. “O ódio da elite em relação a Chávez alimentava-se de uma variedade de fatores, entre os quais frustração, paranoia, preconceito de classe e um temor de ser preterido no projeto chavista. Tudo isso se reforçava pelo ataque ininterrupto e cáustico das peças de propaganda anti-Chávez nas emissoras, responsáveis por realizar uma lavagem cerebral em parte da população e incentivar algo semelhante a uma histeria coletiva”.

A própria rede de televisão venezuelana, Venevisión – tal como a Rede Globo aqui – veiculava reportagens tendenciosas e deturpadas apenas contra o governo e omitindo qualquer uma que viesse a comprometer seus próprios interesses. A tática utilizada contra os governos progressistas é a mesma de sempre: plantar o caos, divulgar dados negativos e tentar colocar a população contra o governo.

A votação do Referendo de 2009, para saber se Chávez deveria continuar no poder ou não, foi um grande exemplo desta parcialidade. “As grandes redes de televisão, controladas pelos magnatas da mídia que faziam oposição a Chávez, passaram o dia mostrando as longas filas formadas pelas pessoas que esperavam para votar nos bairros anti-Chávez (…). Elas não se deram ao trabalho de ir aos bairros de baixa renda, onde as filas eram tão grandes e o sentimento de apoio a Chávez, arraigado. Os canais de televisão, que tiveram uma participação importante no golpe de 2002 e nas greves econômicas, criaram a falsa impressão de que as forças anti-Chávez conquistariam uma vitória arrasadora no referendo”. Apesar disso tudo, Chávez ganhou com 59% dos votos – ou, 5,6 milhões de votos.

Tal como hoje, a Venezuela também teve grupos que não aceitaram a decisão das urnas. Alguns deles, também patrocinados por fontes desconhecidas, como o tal Movimento Brasil Livre (MBL), que erguem uma bandeira para tentar ludibriar aos cidadãos, mas por trás tem seus interesses políticos e oposicionistas – ainda que hoje, em clara atitude covarde, tentam se desvincular da barca furada que é o apoio bolsonarista. “Os adversários de Chávez ficaram furiosos [sobre o resultado Referendo] e acusaram o conselho de fraude e de aliar-se ao governo. Lançaram manifestações de rua com uma nova tática de “desobediência civil”, que batizaram de Operação Garimba. Instruíram seus simpatizantes a erguerem bloqueios de rua e a buscarem abrigo quando a polícia ou outras autoridades se aproximasse (…). Com isso, pretendiam criar uma situação caótica, impedindo pessoas de ir ao trabalho, as escolas, as lojas e os hospitais (…) acreditando que os distúrbios provocariam a intervenção das Forças Armadas e que Chávez cairia dentro de poucos dias”.

No Brasil, a não aceitação dos votos e reeleição da presidenta Dilma, recursos para a revisão dos votos e até mesmo a tentativa de cassação da chapa via Tribunal Superior Eleitoral, nos remete a tais fatos venezuelanos enfrentados por Chávez e, mais recentemente por Nicolás Maduro.

A oposição, no entanto, não engoliria o resultado tão facilmente. Uma hora depois do pronunciamento de Carrasquero, os adversários de Chávez começaram a aparecer na TV paga para alegar que o processo fora fraudado. Eles baseavam suas acusações, em grande parte, na pesquisa de boca-de-urna realizada pelo instituto norte-americano Penn, Schoen & Berland Associates (…). Além de infringir a lei contra a divulgação do resultado de pesquisas enquanto ainda houvesse eleitores votando, havia um outro problema com a enquete: ela fora realizada não por observadores neutros treinados para realizar pesquisas, mas por voluntários do Sumate, grupo anti-Chávez que liderara a campanha pelo referendo e que recebia dinheiro do National Endowent for Democracy (NED)” [criado para suplementar as atividades da CIA – Agência Central de Inteligência dos EUA – e que recebera 1 milhão de dólares por ano para serem repassados aos partidos de oposição à Chávez].

Aqui, infelizmente, vivenciamos a fatídica farsa do impeachment, que na verdade foi um Golpe legitimado pelo parlamento brasileiro, sob a influência do governo estadunidense, orientado sob a supervisão da CIA, tal como fizeram outras vezes na Guatemala em 1954, Brasil em 1964 e Chile, em 1973, para citar alguns exemplos.

O chavismo resistiu bravamente. Revisões e auditorias foram feitas, legitimando mais uma vez a vitória de Chávez. A ânsia pelo poder era tanta que o comportamento da oposição chegou a ser considerado uma “neurose coletiva” e “histeria”. “As pessoas eram bombardeadas 24 horas por dia, pelas emissoras de televisão, com peças de propaganda anti-Chávez, uma propagando ríspida, achincalhante e muitas vezes mentirosa (…). Instalou-se um bloqueio mental (…) Isso é quase uma patologia, concluiu a socióloga Margarita López Maya, da Universidade Central da Venezuela”.

E a propaganda no exterior, plantando o caos para afugentar investidores tal como fizeram conosco, foi marcante na Venezuela de Chávez. Não eram raros os editoriais de jornais como “The Washington Post” e “The New York Times”, ridicularizando o governo chavista. E mais do que afrontá-lo, mentiam.

Hoje, todo o oba-oba e factoides contra a Petrobrás, as denúncias de corrupção envolvendo a maior estatal de nosso país são semelhantes a “greve do petróleo” que a Venezuela sofreu em 2003. Na época, a paralisação dos navios, patrocinada pela oposição, foi extremamente danosa para a economia do país. “A economia quase entrara em colapso, encolhendo 27% nos primeiros meses de 2003. No total, o movimento custou ao setor petrolífero 13,3 bilhões de dólares”. O chavismo era atacado de todo lado.

Resgatando o espírito nacionalista do povo, Chávez convoca as chamadas “Missões”, programa similar ao “Mais Médicos” implementado pelos governos petistas no Brasil com a participação de médicos cubanos. E como não poderia deixar de ser, também foi criticado apesar de sua eficácia, principalmente para a camada da população mais carente. “As missões de Chávez, de fato, não se limitavam a doações realizadas pelo governo. Elas serviam para estimular, mobilizar e organizar as comunidades como nenhum outro governo conseguira fazer no passado. (…) A onda contagiante de esperança que se espalhava pelos bairros não vinha apenas dos serviços de melhorias oferecidos pelo governo, mas da participação de seus moradores como cidadãos, oportunidade primeira em suas vidas”. Eis o segredo do sucesso e o motivo de tamanho carisma entre Chávez e Lula – e, obviamente, a manifestação do ódio por parte da elite.

A simplicidade e origem humilde, sem o uso de máscaras, tornaram esse líder alvo de uma elite racista e preconceituosa. A espontaneidade em tratar o povo e até mesmo a maneira de se expressar, viraram motivos de chacota e desrespeito. Mas Chávez não se importava. Para ele, o que contava era seu povo feliz, participativo nas políticas públicas. Enquanto tentavam difamá-lo, o povo se unia a ele.

Sua popularidade era enorme graças à visão que tinha para com as pessoas. Taxas de pobreza, indigência e mortalidade infantil caíram significativamente, e o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que contempla expectativa de vida ao nascer, educação e PIB per capita do país passou de 0,656 para 0,735. Foi sob seu governo que a UNESCO declarou a Venezuela livre do analfabetismo, assim como a ONU reconheceu o país como exemplo mundial no combate à fome e à desnutrição, além da redução em 75% a proporção de pessoas em pobreza extrema, contrariando a propaganda midiática negativa.

Humanista como sempre, posicionou-se contra o estado genocida de Israel e às guerras protagonizadas pelos EUA.

As conquistas de Hugo Chávez jamais serão esquecidas e ainda aquecem os corações venezuelanos que lutam contra sanções absurdas e abusivas ditadas pelo interesse do capital estadunidense. A luta continua sob a figura não tão firme e aguerrida de Nicolás Maduro, que sofre com tentativas de desmoralização e golpes, mas ainda resiste. E com ele, o sonho de Chávez pela Revolução Bolivariana, tal como defendeu Simón Bolívar para a América Latina: a igualdade para todos os povos.

Chávez vive!

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