Sinais e estocadas

O Datafolha e o Ibope mostram que Bolsonaro chegou ao seu limite e caiu significativamente o número de indecisos. Com a derrocada de Marina Silva, é o crescimento da esquerda que é notório. O capitão perde de todos no segundo turno e, com a confirmação de Haddad, a dúvida é se o extrema direita consegue passar do primeiro turno

Sinais e estocadas
Sinais e estocadas (Foto: Esq.: Marcelo Camargo - ABR / Dir.: Stuckert)

O Datafolha e o Ibope mostram que Bolsonaro chegou ao seu limite e caiu significativamente o número de indecisos. Com a derrocada de Marina Silva, é o crescimento da esquerda que é notório. O capitão perde de todos no segundo turno e, com a confirmação de Haddad, a dúvida é se o extrema direita consegue passar do primeiro turno. Ainda parece plausível a disputa PT x PSDB, apesar do quase sumiço de Alckmin.

É interessante a coincidência numérica das intenções de voto agora com os três primeiros colocados de 1989. O Datafolha a alguns dias da eleição daquele ano dava Collor, Lula e Brizola com os porcentuais quase idênticos aos que têm agora Bolsonaro, Haddad e Ciro, de partidos e intenções semelhantes. Repetição dialética da história, mas torcendo por um desfecho não trágico como aquele.

Creio que não são tão conspiratórias assim as teses que estão preocupando Fernanda Torres, que escreveu um artigo sobre o assunto intitulado “Vermelhos” na Ilustrada (14/9). A proliferação de notícias de ódio nas redes sociais é mais rápida que as de conteúdos agradáveis, comprovam estudos que analisam as fakenews a e pós-verdade, e nisso se baseou a investida russa em outros países, Estados Unidos incluídos, tema da colunista. Paradoxalmente, no Brasil é o contrário, e as forças marrons fazem de tudo para voltar ao poder, incluindo agora o descumprimento da Constituição, para modificá-la sem Constituinte. Tristes tópicos, parodiando o filósofo.

O atentado a Bolsonaro não tira o caráter retrógrado ou diminui o discurso de ódio do candidato do PSL. A Santa Casa de Juiz de Fora ainda explicará por que foi permitido o uso de celular no centro cirúrgico e o profissional de saúde estar sem luvas. De qualquer forma, o candidato conseguiu romper o escasso tempo no horário eleitoral com a exposição onipresente na mídia. Isso no dia em que pesquisas de opinião já mostravam que ele perderia no segundo turno para todos os oponentes.

FHC já errou tanto em suas avaliações políticas, ao prever a derrocada do PT e a perda da influência de Lula, que soa irônica sua entrevista no início de setembro. O PSDB disputará os eleitores de Bolsonaro para ir ao segundo turno junto com o PT, essa é a leitura do momento. A plataforma retrógrada do capitão não é distante da dos tucanos e o diferencial será a maior influência da TV ou da internet para a definição do voto. A direita sabe que não poderá ir às urnas de forma desunida, pois o PT tem fôlego para chegar ao segundo turno, mesmo com Lula preso e alijado do processo eleitoral. Porém, há relutâncias de parte a parte: uns que não conseguem ver o Picolé de Chuchu como expressivo para angariar votos além de São Paulo e outros que entendem o capitão do mato como extremista e contrário a princípios envernizados de democracia.

O PT é o preferido por 29% dos eleitores, superando os demais 34 partidos somados, segundo Ibope de final de agosto. O PSDB chega a no máximo 5%. Ou seja, o protagonismo petista é também refletido na preferência, ao contrário de todos os demais. Sinal claro de onde está a solução para as mazelas que o país vive.

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