Sionismo socialista para leigos, ou tudo que a esquerda antissionista deveria saber - Quarta Parte

Depois de ter escrito sobre o inicio do Sionismo Socialista e alguns de seus precursores, é preciso contar um pouco da vida e da obra de Berl Katznelson, um dos fundadores intelectuais do Sionismo Socialista, que instrumentou o estabelecimento do moderno Estado de Israel

Depois de ter escrito sobre o inicio do Sionismo Socialista e alguns de seus precursores, é preciso contar um pouco da vida e da obra de Berl Katznelson, um dos fundadores intelectuais do Sionismo Socialista, que instrumentou o estabelecimento do moderno Estado de Israel
Depois de ter escrito sobre o inicio do Sionismo Socialista e alguns de seus precursores, é preciso contar um pouco da vida e da obra de Berl Katznelson, um dos fundadores intelectuais do Sionismo Socialista, que instrumentou o estabelecimento do moderno Estado de Israel (Foto: Mauro Nadvorny)
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Depois de ter escrito sobre o inicio do Sionismo Socialista e alguns de seus precursores, como Ber Borochov, Nachman Sirkyn e Moses Hess, é preciso contar um pouco da vida e da obra de Berl Katznelson, um dos fundadores intelectuais do Sionismo Socialista, que instrumentou o estabelecimento do moderno Estado de Israel.

Nasceu em 25 de janeiro de 1887 em Babruysk, Império Russo (atualmente Belarussia) e faleceu em 12 de agosto de 1944 em Israel vítima de aneurisma. Filho de um membro de Hovevei Sion (Amantes de Sion), ele sonhava em se estabelecer na pátria judaica desde cedo. Na Rússia, ele era bibliotecário em uma biblioteca hebraico-iídiche e ensinava literatura hebraica e história judaica. Acabou fazendo aliá (termo hebraico que significa subida) para a Palestina Otomana em 1909, onde trabalhou na agricultura e assumiu um papel ativo na organização de federações operárias baseadas na idéia de "trabalho comum, vida e aspirações".

Juntamente com seu primo, Yitzhak Tabenkin, Katznelson foi um dos fundadores do sindicato dos trabalhadores israelenses, a Histadrut. Nesta função, juntamente com Meir Rothberg do Kibutz Kinneret, fundou em 1916 a cooperativa de consumidores conhecida como Hamashbir (que anos mais tarde viria a se tornar uma rede de lojas do movimento kibutziano) com o objetivo de suprir as comunidades judaicas da Palestina com alimentos a preços acessíveis durante os terríveis anos de escassez no mercado durante a Primeira Guerra Mundial. Ele ajudou a estabelecer o Serviço de Saúde Klalit que provia as necessidades médicas para a população (algo similar ao INSS no Brasil) que se tornou um importante dispositivo na rede de medicina socializada de Israel. Em 1925, juntamente com Moshe Beilinson, Katznelson estabeleceu o jornal diário Davar, e tornou-se seu primeiro editor, cargo que ocupou até a sua morte, além de se tornar o fundador e primeiro editor-chefe da editora Am Oved.

Katznelson era bem conhecido por seu desejo de coexistência pacífica entre árabes e judeus em Israel. Ele era um opositor declarado do plano de partição da Comissão Peel para a Palestina. Disse ele:

“Eu não desejo ver a realização do sionismo na forma do novo estado polonês com os árabes na posição dos judeus e dos judeus na posição dos poloneses, o povo governante. Para mim, isso seria a completa perversão do ideal sionista ... Nossa geração tem sido testemunha do fato de que nações aspirantes à liberdade que se livraram do jugo da subjugação apressaram-se em colocar este jugo sobre os ombros dos outros. Ao longo das gerações em que fomos perseguidos, exilados e massacrados, aprendemos não apenas a dor do exílio e do domínio pela força, mas também o desprezo pela tirania. Isso era apenas um caso de uvas azedas? Estamos agora alimentando o sonho de escravos que desejam reinar?”

Katznelson também falou de auto-ódio judaico, dizendo:

"Existe outro povo na Terra tão emocionalmente distorcido que eles consideram tudo o que sua nação faz desprezível e odioso, enquanto todos os assassinatos, estupros, roubos cometidos por seus inimigos enchem seus corações com admiração e reverência?"

Muito do que foi realizado por Katznelson moldou a sociedade israelense até 1977 quando a direita assumiu o poder e ali permanece até os dias de hoje.

Quando a esquerda sionista fala de Israel, fala com conhecimento e direito a manifestação. Como aqueles no passado, defendemos a coexistência com os palestinos e lutamos pelo estabelecimento de seu estado nas linhas de fronteira de 1967.

Somo favoráveis a um acordo de paz que traga justiça e convivência pacífica entre nossos povos e apoiamos os companheiros palestinos que têm a mesma visão.

A esquerda sionista desafia a esquerda tradicional nos países em que vivemos a se libertar do ranço antissionista e nos ajudar a combater o antissemitismo em todo espectro político, compreendendo finalmente que somos uma força política considerável.

Nossa luta é travada no dia a dia contra todos aqueles que desrespeitam a existência de Israel e confundem, seja por ignorância, seja por convicção a política de estado atual com a existência política do estado que está fazendo 70 anos.

Conclamamos todas as forças de esquerda a se unirem sem discriminação na luta contra o golpe, pelo exercício pleno da democracia e o fim da politização no judiciário que atropela a constituição e exerce um quarto poder.

Nós estamos na luta independentemente dos grupos sectários e radicais que tanto mal causam a esquerda.

Nós somos sionistas! Nós somos socialistas! Eleição sem Lula é Fraude!

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