Só Cunha pode jogar o nome de Temer na lama

"Entre ficar quieto, como Sérgio Cabral, ou delatar, como Delcídio do Amaral, Eduardo Cunha escolheu uma terceira via para sair da prisão de Curitiba: encurralar Temer", observa Alex Solnik, em coluna no 247; "Insinuar que está por dentro de situações que podem jogar o nome de Temer na lama foi uma decisão audaciosa, que embute um recado para seu ex-aliado e hoje desafeto: ou você me ajuda a sair daqui ou minha metralhadora giratória não vai parar", afirma o jornalista; para Solnik, a nova lista de perguntas de Cunha a Temer encaminhadas ao STJ "é um sinal evidente de que ele representa o maior perigo à sobrevivência do governo que está aí"; enquanto isso, "Temer manda responder que Cunha blefa desesperadamente, mas suas últimas decisões não estão de acordo com o que diz"

Temer Cunha
Temer Cunha (Foto: Alex Solnik)

Entre ficar quieto, como Sérgio Cabral, ou delatar, como Delcídio do Amaral, Eduardo Cunha escolheu uma terceira via para sair da prisão de Curitiba: encurralar Temer.

Ele conhece o velho, mas sábio ditado: quem cala consente. Sabe, também, que o pré-requisito para a delação premiada é confessar os próprios crimes, o que não está disposto a fazer.

Insinuar que está por dentro de situações que podem jogar o nome de Temer na lama foi uma decisão audaciosa, que embute um recado para seu ex-aliado e hoje desafeto: ou você me ajuda a sair daqui ou minha metralhadora giratória não vai parar.

De todas as desventuras em série em que Temer está enredado, Cunha é o protagonista da pior delas. Sua nova lista de 19 perguntas encaminhadas ao STJ, onde tramita seu pedido de habeas corpus, é um sinal evidente de que ele representa o maior perigo à sobrevivência do governo que está aí porque ele sabe melhor do que ninguém o que Temer fez desde que assumiu a vice-presidência do Brasil, em 2010.

Em suas novas perguntas, Cunha abre fogo contra nomeações como a de Moreira Franco na vice-presidência da Caixa Econômica e outras patrocinadas por Temer, supostamente suspeitas e potencialmente pouco republicanas.

O alvo é o presidente.

Temer manda responder que Cunha blefa desesperadamente, mas suas últimas decisões não estão de acordo com o que diz: tanto é que resolveu manter um fiel aliado de Cunha, André Moura, na liderança do governo na Câmara dos Deputados, apesar de ele não fazer parte de seu grupo, nem possuir outra credencial a não ser fazer parte da tropa de choque do ex-deputado. É um afago explícito com a intenção de acalmar Cunha. Uma forma de lhe mostrar que, por meio de Moura, ele ainda tem peso dentro do governo.

Indicar Alexandre de Moraes para o STF e Carlos Velloso para a Justiça também podem ser considerados itens do pacote pró-Cunha. Hoje, em entrevista à "Folha", Velloso faz duas afirmações nesse sentido. Diz que Temer o convocou "para ajudar a salvar o Brasil" (o que, em outras palavras, significa salvar o governo) e que, se aceitar o cargo vai "ajudar o amigo".

Mas isso é pouco para o principal responsável pelo golpe que derrubou Dilma. Ele quer sair das grades de Moro o mais rapidamente possível.

Sua sorte está nas mãos de Temer e a sorte de Temer está nas mãos dele.

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