Soberania e perplexidade

Novamente, os fatos também trouxeram para o centro da cena política o presidente Lula, quem melhor falou e deve continuar falando pelo Brasil e pelos brasileiros - na voz de Chico Buarque. - Este (o governo de Lula) é um governo que não fala fino com os Estados Unidos nem grosso com a Bolívia. Portanto, Lula livre e yankes, voltem para suas casas

Ex-presidente Lula durante visita ao Museu Cais do Sertão, em Recife. Foto Ricardo Stuckert
Ex-presidente Lula durante visita ao Museu Cais do Sertão, em Recife. Foto Ricardo Stuckert (Foto: Fernando Rosa)

Em apenas um dia, enquanto os brasileiros comemoravam a vitória da seleção contra a Sérvia, três fatos trouxeram definitivamente o tema da soberania nacional para o centro da luta política.

O primeiro deles, a reação altiva do prefeito de Manaus, Amazonas, Artur Virgílio, diante da visita do vice-presidente norte-americano, Mike Pence, ao país e à sua cidade.

- Respeite a soberania do meu país e o brio do povo amazonense. Não aceito a intervenção militar, nem por brincadeira. Por favor, volte para sua casa. O ACNUR reconheceu o trabalho de acolhimento aos venezuelanos feito por Manaus. Não tente me ensinar a ser solidário. Os mexicanos podem falar sobre o tratamento que o seu país dá a eles", declarou Arthur em sua postagem (no twitter).

O segundo fato foi a decisão liminar do ministro do STF, Ricardo Lewandowski, proibindo privatizações sem aval do Congresso e licitação, medida antecedida de artigo publicado no mesmo dia, no jornal Folha de S. Paulo.

- Internacionalizar ou privatizar ativos estratégicos não se reduz apenas a uma mera opção governamental, de caráter contingente, ditada por escolhas circunstanciais de ordem pragmática. Constitui uma decisão que se projeta no tempo, configurando verdadeira política de Estado, a qual, por isso mesmo, deve ser precedida de muita reflexão e amplo debate, pois suas consequências têm o condão de afetar o bem-estar das gerações presentes e até a própria sobrevivência das vindouras.

O terceiro fato, a infeliz, proposital ou mesmo provocadora postagem do Comandante do Exército, general Villas Bôas, que insiste em "governar" as FFAA por twitter, exatamente no mesmo dia que o vice dos EUA vem afrontar nossa soberania.

- Há 50 anos, em um ato terrorista perpetrado contra o quartel-general do então II Exército em São Paulo, faleceu, com apenas 18 anos, o Soldado Mário Kozel Filho. Nossos heróis serão sempre lembrados. Kozel, o @exercitooficial lhe presta continência! #ObrigadoSoldado!

Tais fatos, descontando ter sido um dia de Copa, expõem a perplexidade das lideranças brasileiras diante do tema da soberania nacional.

É inegável a simbologia da visita do vice-presidente norte-americano ao Brasil, especialmente pela sua arrogante presença no coração da Amazônia brasileira. Grave também foi o Palácio do Planalto, na presença de Temer, servir de "base" para Pence mandar "recados" para a população da América Central. Não bastasse isso, ainda "enquadrou" os golpistas para as pretendidas manobras de ataque à Venezuela, que buscam armar - também - desde as fronteiras brasileiras.

A postura de Temer e do Itamaraty e do enviado do Império deixaram claro o papel de neo-colônia que está reservado ao Brasil. Um papel que, ao que parece, conta com o apoio do comando militar, refém de uma neutralidade inexistente e, portanto, antinacional. E, ainda, amparado sobre os escombros de instituições que, em alguns casos, como o STF, parecem tentar resistir ao suicídio institucional.

Diante disso, torna-se decisivo superar a dificuldade de boa parte da oposição, ainda refém de uma limitada visão republicana-eleitoral. O Brasil foi empurrado para o centro de disputas geopolíticas mundiais, resultante da falência dos EUA e do fim do mundo unipolar. É fundamental compreender este processo para identificar corretamente o inimigo, o campo de batalha e as armas a serem utilizadas.

Novamente, os fatos também trouxeram para o centro da cena política o presidente Lula, quem melhor falou e deve continuar falando pelo Brasil e pelos brasileiros - na voz de Chico Buarque.

- Este (o governo de Lula) é um governo que não fala fino com os Estados Unidos nem grosso com a Bolívia.

Portanto, Lula livre e yankes, voltem para suas casas.

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