Sobre a Páscoa, o amor e o ódio

"Desculpem-me se serei desagradável em pleno domingo de Páscoa, mas essa pegada, de identificar a direita com o ódio e a esquerda com o amor, me parece o fim da picada. Vou mais longe: o que falta à esquerda, e ao povo brasileiro, é ódio aos opressores", diz o jornalista Breno Altman, editor do site Opera Mundi; "Afinal, os senhores feudais e os monarcas franceses somente foram derrubados porque o ódio tomou conta dos servos de gleba e dos despossuídos", afirma; "Se a esquerda tiver ódio, e conseguir estimular o ódio como o grande sentimento das massas em relação a seus opressores, meio caminho estará andado"

Sobre a Páscoa, o amor e o ódio
Sobre a Páscoa, o amor e o ódio (Foto: Esq.: Ueslei Marcelino - Reuters)

Desculpem-me se serei desagradável em pleno domingo de Páscoa, mas essa pegada, de identificar a direita com o ódio e a esquerda com o amor, me parece o fim da picada.

Vou mais longe: o que falta à esquerda, e ao povo brasileiro, é ódio aos opressores.

Afinal, os senhores feudais e os monarcas franceses somente foram derrubados porque o ódio tomou conta dos servos de gleba e dos despossuídos.

Também foi o ódio da classe trabalhadora ao czar e à burguesia que gerou a revolução russa.

Igualmente foi o ódio que permitiu ao povo soviético vencer, no campo de batalha, um inimigo tão poderoso quanto o nazismo.

E o ódio é que foi a força motriz da resistência à ditadura, especialmente nos tempos mais difíceis.

Sempre o ódio e a esperança... de que o ódio poderá vencer a injustiça.

O amor ajuda a fazer música e poesia. Também serve para dar emoção ao congraçamento entre os oprimidos.

Mas o amor não ganha guerras, não derruba ditaduras, não faz revolução e não impulsiona a resistência.

Essas são tarefas possíveis apenas com o ódio.

Se a esquerda tiver ódio, e conseguir estimular o ódio como o grande sentimento das massas em relação a seus opressores, meio caminho estará andado.

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