Sobre soberanos e sabujos

As primeiras providências da camarilha que se apossou do Palácio do Planalto foram a de voltar ao modelo de concessão, que privilegia as empresas de outros países, e a de retirar a exclusividade do Brasil sobre a sua maior jazida de petróleo. A decisão não prejudicou o PT, mas sim o povo brasileiro, de quem foi retirado um recurso de valor inestimável para pavimentar a via do desenvolvimento e da soberania

Operário checa amostra de petróleo na plataforma Cidade Angra dos Reis, no campo de Lula, a cerca de 300 km da costa do Rio de Janeiro. A Petrobras vai aumentar a produção neste ano com a operação de projetos atrasados e a entrada de plataformas previstas
Operário checa amostra de petróleo na plataforma Cidade Angra dos Reis, no campo de Lula, a cerca de 300 km da costa do Rio de Janeiro. A Petrobras vai aumentar a produção neste ano com a operação de projetos atrasados e a entrada de plataformas previstas (Foto: Enio Verri)

Em 2007, o governo do Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou a descoberta de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, o pré-sal. Riqueza energética estratégica de até 300 bilhões de barris, cujo valor pode alcançar US$ 30 trilhões. O custo de exploração desse bem é de US$ 8 o barril. Esse valor de produção é possível graças à grande capacidade tecnológica de prospetar e retirar petróleo de águas super profundas, que a Petrobras desenvolve há quase um século, desde a sua fundação, em 1953.

No intuito de defender os interesses da nação, em 2010 o governo PT estabeleceu para o País um novo marco regulatório na exploração do petróleo. Sob a Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, a exploração deixou de ser por concessão e passou a ser por partilha, modelo pelo qual o Estado é o dono do óleo e não mais as empresas, sendo devido a ele parcelas que podem passar da metade da produção.

Ao contrário de Fernando Henrique Cardoso, que quase transformou a Petrobras em Petrobrax, quando tentou privatizá-la, Lula submeteu a produção do pré-sal ao interesse econômico, social, industrial e tecnológico do País. Nesse processo estava incluído o conteúdo local mínimo, estabelecido já em 2003. Entre 1980 e o final da década de 1990, os estaleiros brasileiros não tinham mais que 2 mil trabalhadores. Em 2014, já eram 80 mil empregos no setor, o dobro dos 40 mil da década de 1970.

O governo do PT também determinou que a Petrobras fosse a operadora exclusiva do pré-sal, sendo dela a primazia de participação em, no mínimo, 30% de qualquer poço aberto à exploração. Em 2013, o governo da presidenta Dilma Rousseff aportou 2 R$ bilhões no Fundo Social do pré-sal, criado em 2010, quando se estabeleceu o regime de partilha, para ser investido em educação, cultura, esporte, ciência e tecnologia, saúde e meio ambiente.

De 2000 a 2010, segundo o IBGE, a participação da extração de petróleo, gás e refino, na indústria, passou de 9,5% para 13,4%. O refino, uma parte complexa da cadeia produtiva da indústria da transformação, passou de 8% para 10,3%. Já o setor naval decuplicou sua participação no PIB, passando de 0,02% pra 0,25%. Para atender o aumento da produção, a Petrobras encomendou 28 sondas de perfuração, 49 navios, 38 plataformas de produção e 146 barcos de apoio.

As primeiras providências da camarilha que se apossou do Palácio do Planalto foram a de voltar ao modelo de concessão, que privilegia as empresas de outros países, e a de retirar a exclusividade do Brasil sobre a sua maior jazida de petróleo. A decisão não prejudicou o PT, mas sim o povo brasileiro, de quem foi retirado um recurso de valor inestimável para pavimentar a via do desenvolvimento e da soberania.

Recentemente, ato contínuo da subserviência colonial, Temer diminuiu a percentuais mínimos a exigência do conteúdo nacional. Não apenas abriram as riquezas brasileiras aos interesses internacionais, como reduziram a pó a capacidade da indústria brasileira de produzir e gerar tecnologia. No limite, condenam o País à eterna condição de produtor e exportador de bens primários e consumidor de bens industrializados por outros países.

O golpista Temer e seu ministério de notáveis entreguistas reduziram em mais de 50% a exigência dos percentuais mínimos de equipamentos e serviços para a exploração de petróleo e gás. Os prejuízos serão devastadores. Empresas estrangeiras passarão a comprar equipamentos em seus países de origem. Ao tempo em que estimula o desenvolvimento industrial, tecnológico e a geração de empregos, em outros países, Temer interrompe o nosso desenvolvimento tecnológico, quebra as empresas brasileiras e aumenta ainda mais o desemprego no Brasil. Mais uma serventia do golpe de 2016.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) elaborou um estudo em que compara resultados de investimento com e sem as regras de conteúdo local. Investindo-se R$ 1 bilhão, com as regras, a contribuição para o PIB é de R$ 551 milhões e geração de 1.532 empregos. Sem o conteúdo local, serão agregados ao PIB apenas R$ 43 milhões e gerados 144 empregos. Temer está destruindo o País em nome do desenvolvimento de outros países.

Já os governos do PT trabalharam para gerar empregos e a inserção da população, usando os resultados dos recursos investidos, também, na Petrobras e no pré-sal. Em, 2012, 8 anos depois de o PT tomar posse, a ONU declarou o Brasil país fora do mapa mundial da fome. Desde os 517 anos de existência, 128 de República e 28 de democracia, há fome no Brasil. Foram as políticas do PT que fizeram cerca de 40 milhões de pessoas se alimentarem, pelo menos, três vezes ao dia.

Em 10 anos, desde 2001, o crédito em geral passou de 25% para 56,3% do PIB. O crédito habitacional passou de 2,5% para 7,5% do PIB. A classe C foi a responsável por 58% do crédito, em 2013. Quando a democracia foi golpeada, e o PT retirado do governo, o País tinha uma reserva financeira de US$ 377,8 bilhões e era a 6 economia mundial. Essas conquistas foram possíveis porque os mais pobres foram incluídos, passaram a produzir mais riquezas e fizeram a roda da economia girar.

Em toda nação há os soberanos e os sabujos traidores do povo. Os primeiros são os que investem os potenciais energéticos do País no desenvolvimento da nação, com inclusão econômica, social e política da população. Já os sabujos são os que rastejam e submetem a nação aos interesses de uma elite escravocrata e também orgulhosa de ser sabuja do capital internacional. De que lado está você?

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