Sobre sofistas, loucos e irresponsáveis

Enquanto os corpos se amontoam e o caos começa a se espalhar, o brasileiro sensato vive um misto de indignação e desespero. Não há a quem recorrer, gritar ou pedir

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Enquanto os corpos se amontoam e o caos começa a se espalhar, o brasileiro sensato vive um misto de indignação e desespero. Não há a quem recorrer, gritar ou pedir. O oxigênio se esvai e a paciência também. Em um país onde sempre se morreu de fome e de sede agora morre-se de desânimo, desesperança e tristeza. Do alto das suas torres de marfim, a elite brasileira, tacanha no seu existir, faz cara de paisagem e finge que está tudo bem. 

A escolha em nada tinha de difícil, mas o ódio ao brasileiro pobre tornou-se bandeira de luta defendida pelos mais variados segmentos da sociedade brasileira atada aos mais nefastos e vergonhosos comportamentos escravistas, que sempre viu (e vê) na inclusão de pobres e pretos uma afronta. Assim sendo, inúmeros foram os editoriais e discursos fascistóides vomitados por “artistas”, políticos, revistas semanais, programas de televisão, religiosos e (de)formadores de opinião. Por fim, o jornalismo de guerra, como ocorrera na Argentina, conseguiu impor no Brasil a vontade dos seus donos a pelo menos um terço da população, fazendo-a comprar um produto que sabiam em decomposição. 

Passados dois anos, o produto apodreceu, e agora não sabem o que fazer com ele. Tudo estaria bem, com todos se locupletando, mas no meio do caminho tinha uma pandemia, que deixou em carne viva a crueldade e a incompetência de todos aqueles que compõem o cadáver insepulto do atual governo brasileiro. Parte da solução, acreditam alguns, estaria nas mãos do senhor Rodrigo Maia, mas o senhor Rodrigo Maia não é parte da solução, mas do problema. Quanto a isso, não nos iludamos. Não existe nenhuma Nancy Pelosi por aqui, sabemos.

No meio do caos, chega a ser sofrível o posicionamento de certo apresentador de telejornal ao dizer que o mesmo jornalismo de esgoto que empurrou o país para a atual situação de caos, agora “esgrima com loucos e irresponsáveis”, como se ele não fizesse parte do segundo grupo, uma vez que foram exatamente essas pessoas que, de forma reiteradamente irresponsável, esgrimiram os fatos com palavras, distorcendo-os ao bel-prazer dos interesses dos seus patrões, transformando verdades em falácias dia após dia, telejornal após telejornal, boa noite após boa noite.

Logo, se há loucos no comando do país, e os há, foram colocados ali pelos irresponsáveis que vestiram sua camiseta verde-amarela, lotaram vans e fizeram dancinhas ridículas em defesa do indefensável. Também foram colocados ali pelos irresponsáveis com acesso à câmera e microfone, que agora fingem arrependimento. Agora é tarde. Inês é morta. E também Marias, Antonios, Pedros, Anas, Patrícias, Franciscos... Mães, pais, filhos, amigas, avôs e avós. Famílias, histórias e memórias assassinadas com requintes de crueldade. 

A tentativa do famoso e “indignado” apresentador de se manter ao longe, enquanto o circo pega fogo, não cola. Ele tem culpa no incêndio, quando também fingiu apagar o fogo jogando gasolina. Os loucos e irresponsáveis estão do mesmo lado. Não são alheios, mas faces canhestras da mesma moeda podre. Os “loucos” (sádicos e sociopatas, na verdade) foram postos lá pelos irresponsáveis que sabiam muito bem o que estavam fazendo. Além de irresponsáveis, e isso é insofismável, são também assassinos. Impregnado em seus corpos está o odor do sangue de centenas de inocentes. 

Os corpos se avolumam. Há uma corrida contra a morte. Não há mais sinais de ética, decência ou moral. As instituições que não se omitiram ou já se alinharam, vergonhosamente emudeceram. O oxigênio está acabando.  Até quando uma nação à deriva consegue respirar?    

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