Sofrendo na carne

Objetivo da operação que está em curso começa a ficar claro, trata-se de uma estratégia de desmonte do Estado brasileiro, hajavista o ataque frontal aos pilares da nossa economia e, portanto, a nossa soberania

Frigorifico, carne
Frigorifico, carne (Foto: Antonio Mentor)

O objetivo da operação que está em curso começa a ficar claro, trata-se de uma estratégia de desmonte do Estado brasileiro, haja
vista o ataque frontal aos pilares da nossa economia e, portanto, a nossa soberania.

O Brasil é o maior exportador de carne do mundo. Em 2016 foram exportados 14 bilhões de dólares, um crescimento de 344% desde 2002.
Note-se que nesse período a indústria brasileira de carnes investiu bilhões de dólares para aprimorar a qualidade da produção e ganhar os
mercados internacionais. Sabemos que os países compradores também têm padrões robustos sobre a importação de produtos, e não é diferente com a carne brasileira.

A Polícia Federal averigua há dois anos este mercado. Estão sob investigação 33 fiscais, em um universo de 11 mil servidores federais,
apenas 21 unidades sob verificação em um universo de mais de 5.000 frigoríficos. É importante que se investigue e que se puna, mas prejudicar a economia em bilhões de dólares parece fazer parte da desestruturação do Estado brasileiro em uma área da economia tão
próspera e fértil, que ainda não tinha sofrido ataque.

Alguns outros setores já foram alvos desses ataques. Vejamos: A tecnologia atômica, que vivia avanços científicos inegáveis -
inclusive com a construção do submarino atômico -, que teve declínio após a prisão do gestor do projeto o Almirante Othon; A entrega do
Pré-Sal às grandes corporações internacionais do petróleo; Desmonte da indústria naval; O ataque à engenharia da Construção Civil Nacional,
dizimada pela operação lava jato, com impacto econômico de grande dimensão.

O pano de fundo desta manobra macabra foi o golpe que destituiu um governo legitimado pelo voto popular, que levava o Brasil em direção a
sua autodeterminação, sua soberania, com decisões claras como o pagamento do FMI; a ampliação das relações comerciais com a África,
Ásia e Europa; a participação no G8; a criação do G20; a conquista do reconhecimento internacional da liderança política do presidente Lula;
a opção programática de seu governo de políticas sociais de inclusão e combate à fome.

A indústria da carne é o terceiro item de maior importância nas exportações do país; a primeira é a soja, que os países estrangeiros
querem dominar a partir da compra de terras nacionais por estrangeiros, proposta do Governo Temer; o segundo é o minério de
ferro, que foi tomado com a privatização da Vale do Rio Doce.

A elite financeira internacional não suporta o avanço político-econômico e social brasileiro e promove este ataque sórdido
para impedir nossa emancipação. São defensores de um capitalismo selvagem.

Precisamos reconstruir o projeto nacional de desenvolvimento com soberania do povo e distribuição de renda. Irregularidades têm que ser
corrigidas e os responsáveis punidos com rigor.

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