Somos todos Boulos

O pedido de investigação criminal contra Boulos, líder de um movimento que defende uma garantia básica como a moradia, mostra que lutar por direitos não é apenas necessário, mas absolutamente fundamental para que retrocessos não ocorram, ainda que embalados em dispositivos supostamente legais

O pedido de investigação criminal contra Boulos, líder de um movimento que defende uma garantia básica como a moradia, mostra que lutar por direitos não é apenas necessário, mas absolutamente fundamental para que retrocessos não ocorram, ainda que embalados em dispositivos supostamente legais
O pedido de investigação criminal contra Boulos, líder de um movimento que defende uma garantia básica como a moradia, mostra que lutar por direitos não é apenas necessário, mas absolutamente fundamental para que retrocessos não ocorram, ainda que embalados em dispositivos supostamente legais (Foto: Randolfe Rodrigues)
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O princípio da livre opinião e manifestação é a pedra angular do Estado de Direito.

O que proporciona a riqueza da democracia é justamente a possibilidade do embate não violento de opiniões divergentes. E, nesse sentido, descontados os excessos, vivemos um momento riquíssimo que será lembrado, no futuro, como o momento em que as ideias, colocadas na mesa, ajudaram a iluminar as saídas para a crise política que emperra om país.

Tenho o direito de concordar ou discordar dos argumentos que se apresentam diante dos fatos ou de suas interpretações. E esse direito só é garantido hoje porque gerações lutaram para vê-lo transformado em orientação normativa, em leis que devem ser obedecidas por todos.

Por entender assim, causa brutal estranheza as representações junto ao Ministério Público, assinadas pelo DEM e pelo PSDB, que pedem a investigação do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos.

Os dois partidos, cujas lideranças aparecem arroladas mais de uma vez na Operação Lava-Jato, tentam criminalizar as falas e opiniões emitidas por Boulos nos atos públicos em que se posiciona contra o impeachment da presidente Dima Rousseff.

Boulos, que acusa Dilma de inabilidade política e de dificuldade de se expressar com clareza, recusa o argumento de crime de responsabilidade da qual é acusada a presidente justamente pelos partidos que tentam criminalizar o líder do MTST.

O pedido de prisão de Boulos por crime de opinião surgiu primeiro no jornal O Estado de S. Paulo, num editorial lamentável e que serviu de senha para o início dessa caça às bruxas, que tem como alvo uma das principais lideranças populares surgida nos últimos anos no País. Sua prisão por crime de opinião significaria um retrocesso aos tristes anos da ditadura militar, onde o simples ato de discordar ou o mero fato de opinar poderiam conduzir inocentes e pessoas de bem às masmorras e à tortura.

Essa ação proposta pelo PSDB e pelo DEM abre o caminho para uma inaceitável criminalização dos movimentos sociais, transformando a legítima resistência popular em suposta ameaça à democracia e à governabilidade.

O pedido de investigação criminal contra Boulos, líder de um movimento que defende uma garantia básica como a moradia, mostra que lutar por direitos não é apenas necessário, mas absolutamente fundamental para que retrocessos não ocorram, ainda que embalados em dispositivos supostamente legais.

Todos os que prezam a liberdade devem repudiar a criminalização dos movimentos sociais e de suas lideranças — como Guilherme Boulos, um bravo brasileiro que não foge à luta.

Somos todos Boulos!

*Randolfe Rodrigues, historiador,

é senador pela REDE do Amapá

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