STF 10 X Lava Jato 1

Para o jornalista Alex Solnik, embora quase o dia inteiro só se tenha falado nisso, a decisão da juíza Carolina Lebbos de transferir Lula foi um tiro que saiu pela culatra; "Em apenas algumas horas, antes que a determinação da juíza fosse efetivada, o STF aplicou uma goleada na Lava Jato quando foi provocado pela defesa de Lula para impedir tal barbaridade: 10 a 1", diz ele

(Foto: Reprodução - MPF)

Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia

  Em tentativa de reverter o noticiário negativo sobre a Lava Jato alimentado nos últimos dias pelas novas revelações do The Intercept, que apontaram ataques ilegais do procurador Deltan Dallagnol ao ministro Gilmar Mendes, e a seus colegas do STF, a juíza Gabriela Hardt determinou a transferência do ex-presidente Lula para um presídio comum em São Paulo, ignorando a prerrogativa de presidentes e ex-presidentes da República ficarem sob custódia em instalações militares e em Sala de Estado Maior.

  Embora quase o dia inteiro só se tenha falado nisso, o tiro saiu pela culatra.

  Em apenas algumas horas, antes que a determinação da juíza fosse efetivada, o STF aplicou uma goleada na Lava Jato quando foi provocado pela defesa de Lula para impedir tal barbaridade: 10 a 1.

  Somente Marco Aurélio Mello, surpreendentemente, não acompanhou os demais, alegando uma tecnicalidade: antes de chegar ao Supremo, o pleito de Lula deveria ter sido feito ao TRF-4. Questiúnculas.

  A bem da verdade (e do bom senso) nem precisaria haver determinações legais impedindo prender ex- ou presidente da República em penitenciárias. É evidente que a pessoa que já foi a mais importante do país poderia ser alvo de malucos que não vacilam em matar uma celebridade para ficarem com a fama e entrarem para a história. Ninguém poderia garantir a sua integridade física, que é responsabilidade do estado.

  Mas há determinação legal, há precedentes históricos (nem nas ditaduras isso ocorreu), há o fator humano, há o risco de assassinato e consequente responsabilização do estado e, ainda assim, a juíza Gabriela Hardt deu a ordem e – mais grave – o governador João Dória a apoiou e ainda tripudiou do ex-presidente.

  Vamos assim conhecendo, aos poucos, as figuras que são contra e a favor do estado democrático de direito.

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