Subserviência leva Pazuello a esconder números

Denise Assis dirige-se ao general Eduardo Pazuello: "O senhor pode seguir a sua política genocida, mas não escapará de um julgamento severo da história desse momento. Esconda números e o que aparecerá será a sua culpa pelas mortes ocorridas."

General Pazuello
General Pazuello (Foto: Reprodução)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia 

Sr. Ministro Eduardo Pazuello,

Devo dizer que tenho acompanhado os trabalhos do ministério da Saúde, que tem o senhor como “interino titular”, o que quer que isto signifique. Desde a sua entrada, porém, o que percebo é que as entrevistas encolheram, suas aparições públicas (em português ou em inglês) nos envergonham e desinformam.

Não creio que ajude muito a sua assinatura a favor da “superprodução” e distribuição de cloroquina, num “protocolo” que, me parece, não tem validade, pois o senhor não é do ramo. Tampouco o seu sub. No máximo ele poderá auxiliar o seu desempenho em suas falas em compromissos externos. Aí, sim, ele estará muito à vontade, como ex-dono de uma cadeia de cursinhos de inglês.

Sua atitude de subserviência militar, de comandado para comandante, já se fez notar no primeiro momento, mas daí a topar escamotear números, subverter contagens para diminuir um vexame internacional já apontado até pelo Donald Trump, é constrangedor e criminoso.

Sabemos que morre no país, desde o início desta semana, um brasileiro por minuto. Esconder este dado inconteste não vai impedir que este vírus gorduroso, pegajoso – que nem a atitude dos subservientes – se infiltre nas células dos milhões de brasileiros que ainda estão na sua mira. O que nos salvaria, de verdade, seria uma política consistente, responsável, de caráter nacional, que orientasse de governadores ao mais humilde cidadão em situação de rua, sobre os cuidados e a importância do isolamento social. Que organizasse a fila única de hospitais públicos e privados. Mas, para agradar o seu chefe, o senhor faz tudo que o mestre mandar. E isto inclui censurar números.

Sua atitude não minimiza a dor dos que veem sair de casa um ente querido com os sintomas da doença, e saber da sua “partida” por um telefonema do hospital. Nenhum adeus, nenhum abraço de amigos, nenhuma flor.  Nenhuma lágrima sobre a sua sepultura. Apenas o sumiço para sempre. Sem direito ao luto tão necessário neste processo.

São apregoados os seus dotes para “gestor”. Não estamos, neste momento, precisando de um gestor. O que necessitamos é de opinião abalizada sobre a doença, estratégias consequentes e números confiáveis, que nos guiem para atitudes sensatas e criteriosas. Proteção, acolhimento, são palavras que não constam do manual de um gestor.

Subserviência em excesso leva ao desrespeito. É este o meu sentimento agora, neste momento, depois de saber de mais um “ataque de pelanca” de Bolsonaro a respeito da divulgação dos números de vítimas do coronavírus no Brasil. Ele não quer que o total informado – que só faz crescer – coincida com o horário dos jornais da TV.

E se ele está preocupado com a “imagem”, que cuide para que os números diminuam, com uma política de fato voltada para a pandemia. Reduzir o repasse da informação não vai anular o fracasso dele no combate ao contágio, na condução do país em momento de crise, e em seus cálculos por votos e não por vidas.

O senhor pode seguir a sua política genocida, mas não escapará de um julgamento severo da história desse momento. Esconda números e o que aparecerá será a sua culpa pelas mortes ocorridas. Tente deter as notícias e o que vai virar manchete será a sua incompetência. Reconte e tente diminuir perdas e o que será somado ao seu currículo será o título de: censor.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como:

• Cartão de crédito na plataforma Vindi: acesse este link

• Boleto ou transferência bancária: enviar email para [email protected]

• Seja membro no Youtube: acesse este link

• Transferência pelo Paypal: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Patreon: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Catarse: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Apoia-se: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Vakinha: acesse este link

Inscreva-se também na TV 247, siga-nos no Twitter, no Facebook e no Instagram. Conheça também nossa livraria, receba a nossa newsletter e ative o sininho vermelho para as notificações.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247