Tal como a mina do Gongo Soco, Bolsonaro ameaça ruir

"Ao assistir hoje à transmissão, pela TV, do desfile dos 'adoradores do pato', pelas principais capitais do país, era inevitável a analogia, seguida da pergunta: quem cai primeiro, Bolsonaro ou a mina do Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG)?", questionou Denise Assis, Jornalista pela Democracia, após o fracasso das manifestações em defesa de Jair Bolsonaro

Tal como a mina do Gongo Soco, Bolsonaro ameaça ruir
Tal como a mina do Gongo Soco, Bolsonaro ameaça ruir (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia

Todos já sabemos que a aceitação do governo do presidente Jair Bolsonaro míngua na mesma velocidade em que os seus cabelos o estão abandonando, e o obrigando a dividi-los cada vez mais próximos da orelha. Não demora muito e ele atravessará aqueles cinco fios de um lado para o outro, no alto da cabeça, a exemplo dos antigos donos de armazém de secos e molhados. Aqueles, da época em que as compras eram anotadas em caderneta.

Ao assistir hoje à transmissão, pela TV, do desfile dos "adoradores do pato", pelas principais capitais do país, era inevitável a analogia, seguida da pergunta: quem cai primeiro, Bolsonaro ou a mina do Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG)?

O deslocamento do talude (parede de contenção) norte da cava da mina agora avança, segundo medição feita no dia de hoje, a uma velocidade de 20 cm por dia, conforme boletim da Agência Nacional de Mineração (ANM), divulgado às 18h. Desde a semana passada, os moradores de Barão de Cocais, a 100 km de Belo Horizonte, vivem a perspectiva de rompimento do talude, que pode afetar a barragem localizada a 1,5 km da cava da mina.

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Desde o dia 17 de maio, quando divulgou um texto da autoria do professor Paulo Portinho, falando em "ingovernabilidade" e jogando a culpa dos seus desacertos no Congresso, com quem não dialoga, o presidente desnudou a fragilidade do seu governo e levantou suspeitas sobre uma possível derrocada. A impressão que se tem é que em Brasília os taludes se deslocam mais rápido.

Sem capacidade para avaliações mais profundas sobre suas idas e vindas, erros consecutivos e brigas desnecessárias, até com a própria sombra, o presidente deixou no cargo o ministro da Educação, Abraham Weintraub, que levantou as ruas contra o seu governo. Weintraub anunciou um corte de 30% em todas as universidades públicas, unindo a sociedade em protestos do dia 15 de maio. As manifestações levaram às ruas dois milhões de estudantes, professores e trabalhadores - que deram apoio ao movimento – gritando por 250 cidades: "unificou, unificou, é estudante junto com trabalhador".

Para se contrapor, numa atitude infantil, de quem se pensa ainda em campanha, Bolsonaro clamou por apoio, convocando manifestações a seu favor, para o dia de hoje (26 de maio). Aí, a notícia carece de exatidão. Quando o governo convoca e organiza ou é "desfile" cívico", ou "culto à personalidade". Movimentos de protesto ou desagravo nascem espontâneos, no meio da massa. Do contrário, o resultado é o que se viu.

Um canal de TV, tentando animar a rapaziada do sofá a deixar a cervejinha e tirar a camisa da CBF do armário. Nas ruas com alguma movimentação, de de Norte a Sul, a mesma padronagem nos adereços, em todas as imagens que desfilaram na tela. Foram contratados guindastes, e todos tiveram as gruas encapadas de verde com o nome do presidente e o número 17, usado em sua candidatura. Os componentes das alas levavam nas mãos bandeirolas de tecido amarelo ou verde, medindo cerca de 1,50m X 1m, espetadas e hastes de plástico. Eram vistas também faixas com ataques ao Congresso, impressas em gráficas profissionais e muito, muito ódio gratuito, concentrado em pequenos grupos. Um deles chegou a rasgar uma faixa exposta na faixada de um prédio, em Curitiba, pedindo verbas pela Educação.

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Não deu para parar o trânsito. O que ficou explícito foi que o material confeccionado para o "evento" nas diversas capitais chegou em dia e foi bem distribuído. O efeito foi uniforme. Porém, longe do esperado por Jair Bolsonaro.

Como aquelas crianças que levam um tombo e com os olhos lacrimejantes batem as mãos uma na outra e dizem para os pais: "nem doeu", Bolsonaro tentou minimizar o fraco comparecimento ao desfile que convocou: "manifestação é recado aos que teimam com velhas práticas".

A declaração foi dada sobre o palco da Igreja Batista Atitude, no Recreio do Bandeirantes, ao lado do pastor evangélico Josué Valandro Júnior, à cerca de 3.800 fiéis presentes ao culto, conforme notícia da Folha de São Paulo. É possível que houvesse mais pessoas nesse culto, do que na Avenida Atlântica, onde uniformizado de verde e amarelo o seu público de fanáticos tentava reunir mais adeptos. Não conseguiram. A popularidade do "mito" não sobe nem puxada pelo guindaste adaptado para o estranho desfile.

 

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