Tamboro/Bacurau

Tamboro é palavra indígena da tribo dos ingaricó, de Roraima, que quer dizer 'Para todos, sem exceção', e dá nome ao pouco conhecido filme de Sergio Bernardes sobre o Brasil e o extermínio da Amazônia pela ação deliberada das elites. Não há como não imaginar no próprio corpo o impiedoso corte da floresta e o horrível barulho das motosserras. E compreender a fundo a indiferença da elite na cena do banquete em traje a rigor e regado a champanhe francês em meio a toda destruição e miséria.

A elite indiferente ao sofrimento é o peso morto da História, a imagem do fascismo. 

Para além do que pode se pensar, o fascismo não é acontecimento datado. Quando muito, datadas são suas técnicas de modo de operar. Isso porque, fascismo é e sempre será a ausência da alteridade diversa.

Como congressista e já se preparando para a disputa da presidência da República, Jair Messias Bolsonaro gravou mensagem no cenário da Câmara federal: "Alô pessoal de Roraima. Em 2019 vamos desmarcar a reserva indígena Raposa do Sol e dar fuzil com porte de arma para todos os fazendeiros".

Quando falava sobre Tamboro, o arquiteto e cineasta Sergio Bernardes dizia que o problema do Brasil e da Amazônia, em especial, não era nem ecológico, nem sociológico, mas civilizacional. Sergio morreu aos 63 anos, em 2007. Doze anos depois, o país se encontra chafurdado na barbárie do ultraconservadorismo nos costumes associado ao ultraliberalismo na economia que, juntos, perfazem a política do 'Para poucos, com todas as exceções'.

Bacurau, filme de Kleber Mendonça, vem entrando em cartaz em circuito nacional.

Bacurau, uma cidade que sumiu do mapa, se revela inspiração para os dias atuais no que se refere a definir ações para enfrentar a ofensiva do predador que avisa "isso é só o começo". Tamboro e Bacurau não são filmes para se assistir. São para saltar das telas como uma rosa púrpura esquecida em algum canto dos quatro cantos deste imenso jardim chamado Brasil.

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