Taxas de juros no cheque especial batem novo recorde

"Não há uma razão econômica objetiva para este comportamento dos banqueiros, que transformaram o Brasil no paraíso da agiotagem e foram um dos maiores beneficiários do impeachment de Dilma Rousseff"

(Foto: Sputnik)

Os banqueiros estão lucrando como nunca à custa dos clientes. Embora a taxa básica de juros definidas pelo Banco Central (Selic) esteja em 6% ao ano, a menor da série histórica iniciada em 1986, as taxas cobradas pelos banqueiros no cheque especial subiram para os maiores percentuais da série estatística do Banco Central, que cobre 25 anos. Em junho, segundo o último dado do BC, a taxa média estava em 322,23% ao ano, o que configura uma espécie de agiotagem institucionalizada.

É interessante notar como a evolução dos juros é sensível aos humores das conjunturas políticas. As taxas do cheque especial de pessoas físicas ficaram em 301,5% ao ano em média a partir de 2015. Esse percentual representa forte alta em relação ao que vigorou durante a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, que determinou a redução das taxas nos bancos públicos, o que forçou – pela lei da concorrência - a redução também nas instituições privadas. Esta “intervenção do Estado” despertou ódio no mercado financeiro, porém o custo médio do cheque especial no período ficou em 155,7% ao ano, com uma taxa mínima de 136,7% ao ano em março de 2013. E também supera a média de 159,9% ao ano dos cinco anos anteriores, de 2007 a 2011, conforme assinala reportagem do Valor.

Golpe do capital

Após o golpe de Estado de 2016, com a ascensão do governo Temer e agora com Jair Bolsonaro, os bancos públicos mudaram de orientação, voltando a se guiar pelos mesmos parâmetros da iniciativa privada. Estudo recente do Banco Central estima que o cheque especial foi responsável por aproximadamente 10% da margem de juros líquida gerada pelo crédito do sistema bancário.

Nadando em dinheiro, os banqueiros estão dando gargalhadas. No primeiro semestre de 2019 o lucro somado do Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander (os quatro maiores de capital aberto no país) chegou a R$ 42,9 bilhões, crescimento médio de 20,4% em doze meses. No caso do Santander, a unidade brasileira foi responsável por 29% do resultado global do banco. Os brasileiros que apelam ao crédito bancário pagam o ônus. Estão sendo sufocados pelos débitos. A taxa de endividamento das famílias brasileiras em relação à renda acumulada em 12 meses subiu para 44,04% em maio, maior nível desde abril de 2016, quando alcançou 44,2%.

O ganho fabuloso contrasta com a estagnação econômica, o desemprego em massa, a redução dos salários e o crescimento da pobreza, da miséria e da fome no país desde o golpe que conduziu o corrompido Michel Temer ao Palácio do Planalto. Não há uma razão econômica objetiva para este comportamento dos banqueiros, que transformaram o Brasil no paraíso da agiotagem e foram um dos maiores beneficiários do impeachment de Dilma Rousseff. As justificativas que apresentam para o disparatado spread são falsas e temperadas pelo cinismo.

As taxas de juros são fixadas de forma arbitrária pelo oligopólio que controla o ramo, importando em sua definição exclusivamente os interesses do capital, que por seu turno sempre coloca em primeiro plano a maximização dos lucros. As instituições públicas poderiam fazer um contraponto à ganância insaciável da estirpe, reduzindo por conta própria os juros cobrados às pessoas físicas, mas isto não condiz com o credo neoliberal dos governos Temer e Bolsonaro, que colocou à frente do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, assim como da Petrobras e do BNDES, figuras que desprezam empresas públicas e defendem abertamente a agenda entreguista das privatizações.

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