Tem alguma coisa errada que parece estar certa

O Centrão é uma máquina de moer acordos políticos e derrubar lideranças. Seus integrantes não têm a menor preocupação com a estabilidade econômica e social do país. Fazem qualquer negócio para manter a hegemonia e controlar as pautas

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A eleição de Arthur Lira (Progressistas- AL), candidato de Bolsonaro para a presidência da Câmara, se deu com a aproximação de parte do DEM e do PSDB com a base do governo, fortalecendo o Centrão. 

O termo Centrão surgiu para designar os parlamentares que formavam maioria na Assembleia Constituinte, que deu origem à atual Constituição, em 1988.   

Ele é, basicamente, um grupo formado por 170 a 220 deputados (segundo as estimativas) de diferentes partidos, que se unem para conseguir maior influência no parlamento e defender, de modo conjunto, seus interesses. 

O modelo atual passou a ter destaque a partir de 2014, quando, sob o comando de Eduardo Cunha (MDB-RJ), atuou para elegê-lo presidente da Câmara dos Deputados. 

No início do mandato vai acontecer a verdadeira corrida ao queijo, com cargos sendo distribuídos, ministérios sendo criados, pequenas cotas dos recursos chegando aos currais eleitorais dos deputados, happy hour, brindes e coquetéis, justificando os 3 bi que Bolsonaro gastou para comprar os deputados. 

Em uma segunda etapa, quando as cadeiras estiverem ocupadas, provavelmente alguém vai reclamar que o queijo não foi bem distribuído, ou que comeu mas ainda sente fome. 

Essas atitudes, mal comparando, são próprias das comunidades de roedores que lutam para dominar um espaço e também as fontes de comida.  

Em determinado momento, após uma série de acusações, ratoeiras serão espalhadas como armadilhas pelo Congresso e as digitais estarão por todo lado. 

O Centrão é uma máquina de moer acordos políticos e derrubar lideranças. Seus integrantes não têm a menor preocupação com a estabilidade econômica e social do país. Fazem qualquer negócio para manter a hegemonia e controlar as pautas. 

Jair Bolsonaro, em um primeiro momento, vai comemorar a vitória de Lira, vai dar entrevistas agradecendo o apoio recebido, vai dizer que o Brasil sai ganhando com a união entre o Congresso e o Executivo, mas depois vai olhar a despensa e constatar que o queijo sumiu. 

Pode parecer estranho, mas a esquerda se fortalece com a vitória de Lira. Bolsonaro a partir de agora é refém do Centrão e a direita tradicional colocou o rabo para fora. 

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