Temer, o desconfiado!

Não é dado menor o fato de quinze, dos vinte e quatro ministros de Temer serem nominalmente citados ou investigados na Operação Lava Jato

Brasília - Secretário-Geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Sérgio Danese, e o vice-presidente da República, Michel Temer, recebem a vice-presidenta da Argentina, Gabriela Michetti, no Palácio Itamaraty (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Brasília - Secretário-Geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Sérgio Danese, e o vice-presidente da República, Michel Temer, recebem a vice-presidenta da Argentina, Gabriela Michetti, no Palácio Itamaraty (Marcelo Camargo/Agência Brasil) (Foto: Ângelo Cavalcante)

É impressionante a postura, o comportamento desengonçado, desajustado e incongruente de Michel Temer em evento, qualquer que seja, com chefes ou líderes internacionais. O impostor traz no corpo e em seus trejeitos o fracasso sem-fim que já é seu governo.

O consórcio do golpe que o catapultou ao poder sofre em silêncio! É como se dissesse: "era o que tinha!". É que a usurpação do poder, mesmo em um pais com rasa tradição democrática como o Brasil, sempre é negócio arriscado ainda mais considerando a constelação de criminosos que lastreia e acompanha Temer.

Não é dado menor o fato de quinze, dos vinte e quatro ministros de Temer serem nominalmente citados ou investigados na Operação Lava Jato. Aos empiricistas, desafio: Querem nomes?

Fácil... Lá vai! Elizeu Padilha (Casa Civil); réu em ação de improbidade administrativa onde é acusado de ordenar pagamento superfaturado de R$ 2 milhões a uma empresa quando ministro de Fernando Henrique Cardoso (1997-2001). Na ação de 2003, ajuizada pelo Ministério Público Federal, e aceita em 2013 pela 6ª Vara Federal do DF, Padilha é apontado como "lobista".

Outro "ínclito e imaculado" de Temer é o secretário de governo, Geddel Vieira Lima e que já é investigado pela Operação Lava Jato. Centenas de mensagens já em poder das equipes de Curitiba demonstram fartamente que Vieira usou sua influência para atuar em favor dos interesses da construtora OAS.

Moreira Franco, secretário do Programa de Parceria de Investimentos, devidamente alojado no Palácio do Planalto, é acusado por Claudio Melo Filho (Odebrecht), de ter aquinhoado R$ 3 milhões em propina. Em troca, Franco teria encerrado o projeto do terceiro aeroporto internacional de São Paulo, no município de Caieiras, próximo a Guarulhos.

José Serra (sempre ele!) é denunciado formalmente por executivos da Odebrecht sobre gastos realizados na campanha presidencial de 2010. O destemperado ministro das Relações Exteriores recebeu R$ 23 milhões da empreiteira via caixa dois. O tucano também é alvo de investigação no caso do cartel de trens em São Paulo.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, é réu no mesmíssimo processo de improbidade administrativa de Serra. É também investigado por suspeita de envolvimento na fraude da licitação da empresa Controlar.

O paraense Helder Barbalho, ministro da Integração Nacional, é réu por improbidade administrativa na 5ª Vara Federal do Pará. Investigação no Departamento Nacional de Auditoria do SUS revela irregularidades na aplicação de recursos do Ministério da Saúde na cidade de Ananindeua (2004 a 2007). Barbalho foi prefeito do município a partir de 2005.

Blairo Maggi, o mega-sojeiro e ministro da Agricultura, é investigado pelo Ministério Público em inquérito no STF para apurar crime de lavagem de dinheiro. O inquérito do STF é de 31/03/2014 e corre em segredo de Justiça.

José Sarney Filho, Meio Ambiente, é investigado pelo Ministério Público pelo uso de passagens áreas para viagens internacionais com a mulher e o filho. Sarney Filho foi também atingido pela Lei da Ficha Limpa, mas conseguiu se safar da Justiça e se candidatar à Câmara dos Deputados.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, quando prefeito de Maringá/PR, em 1990, foi condenado na 4ª Vara Cível do Tribunal de Justiça por fraude na venda de coletores e compactadores de lixo. Barros, que também é tesoureiro-geral do PP, é investigado no Inquérito 4.157 por corrupção, peculato e crime contra a Lei de Licitações.

A lista segue: Raul Jungmman (Defesa), Mendonça Filho (Educação), Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) e Bruno Araújo (Cidades) são nominalmente citados na planilha da Odebrecht durante a 23ª fase da Lava Jato. Em relação a Mendonça Filho, o procurador Rodrigo Janot, apontou suspeitas de pagamento de propina de R$ 100 mil, em 2014, para sua campanha à reeleição para deputado federal.

Temer coordena essa equipe, aliás, ele próprio, réu em rosário de processos; é esse o plantel "ético-técnico" que coordena projetos essenciais e definidores para o Brasil. A desconfiança de Temer é mal-estar estrutural que o constrange, amiúda e, é claro, gera projeções e reflexos em suas falas, intenções e mesmo na defesa dos interesses de um país absolutamente carente de novos horizontes políticos e econômicos em meio a uma globalização que derrete no turbilhão de crises econômicas, estatais, ambientais e humanitárias.

À guisa de contribuição e concluindo por fim essa provocação, na quinta-feira, 13 de outubro, o IBGE divulgou que 22,7 milhões de pessoas em idade produtiva estão desempregadas ou trabalham bem menos do que poderiam. O número devastador se refere ao segundo trimestre deste ano - em fulgurante mandato de Temer - e representa o total dos desempregados, sub-ocupados e inativos com potencial para o trabalho.

O dado é complemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) que havia apontado que a taxa de desemprego aberto bateu em 11,8% da População Economicamente Ativa (PEA) em agosto - totalizando algo próximo a 14 milhões de vítimas.

Pois é... Todos os indicadores macroeconômicos seguem se deteriorando abertamente na comparação com o governo Dilma. Como se vê, a "modernização golpista" impulsionada pelo combinado mídio-jurídico-parlamentar-rentista tem se revelado enorme tiro no pé de toda a nação.

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