Temer pode perseguir quem o delatou?

"O governo Temer, que hoje tem como única prioridade garantir a própria sobrevivência, cruzou uma fronteira perigosa na semana passada. Se antes já tinha sua legitimidade contestada, por ter conquistado o poder por meio de um impeachment sem crime de responsabilidade, agora deixou claro que perdeu qualquer pudor e nem se preocupa mais manter as aparências, ao retaliar ostensivamente as empresas do grupo do J&F, da família Batista", afirma o jornalista Leonardo Attuch, editor do 247; "Colocar Petrobras, Caixa e outros órgãos públicos contra quem o acusou atenta contra a democracia", afirma

"O governo Temer, que hoje tem como única prioridade garantir a própria sobrevivência, cruzou uma fronteira perigosa na semana passada. Se antes já tinha sua legitimidade contestada, por ter conquistado o poder por meio de um impeachment sem crime de responsabilidade, agora deixou claro que perdeu qualquer pudor e nem se preocupa mais manter as aparências, ao retaliar ostensivamente as empresas do grupo do J&F, da família Batista", afirma o jornalista Leonardo Attuch, editor do 247; "Colocar Petrobras, Caixa e outros órgãos públicos contra quem o acusou atenta contra a democracia", afirma
"O governo Temer, que hoje tem como única prioridade garantir a própria sobrevivência, cruzou uma fronteira perigosa na semana passada. Se antes já tinha sua legitimidade contestada, por ter conquistado o poder por meio de um impeachment sem crime de responsabilidade, agora deixou claro que perdeu qualquer pudor e nem se preocupa mais manter as aparências, ao retaliar ostensivamente as empresas do grupo do J&F, da família Batista", afirma o jornalista Leonardo Attuch, editor do 247; "Colocar Petrobras, Caixa e outros órgãos públicos contra quem o acusou atenta contra a democracia", afirma (Foto: Leonardo Attuch)

O governo Temer, que hoje tem como única prioridade garantir a própria sobrevivência, cruzou uma fronteira perigosa na semana passada. Se antes já tinha sua legitimidade contestada, por ter conquistado o poder por meio de um impeachment sem crime de responsabilidade, agora deixou claro que perdeu qualquer pudor e nem se preocupa mais manter as aparências, ao retaliar ostensivamente as empresas do grupo do J&F, da família Batista.

De um lado, a Caixa Econômica Federal antecipou os vencimentos de empréstimos concedidos à JBS e à Flora, duas empresas do grupo J&F, sem maiores explicações. Um tiro no pé, uma vez que o próprio banco é acionista da companhia, que terá suas condições de liquidez afetadas, e pode vir a ser acionado por eventual quebra de contrato. De outro, a Petrobras também cortou repentinamente o fornecimento de gás para uma usina termelétrica da J&F, prejudicando o próprio abastecimento do setor elétrico nacional.

A Petrobras alega que a J&F feriu cláusulas anticorrupção, mas o fato é que, aos olhos do Poder Judiciário, que concedeu os benefícios da delação premiada aos irmãos Batista, eles são colaboradores da Justiça – e não seus inimigos. Especialmente porque delataram esquemas de corrupção e caixa dois que atingem não apenas Michel Temer, mas políticos de todos os partidos. E a própria Petrobras fatalmente será acionada na Justiça pela quebra de contrato.

Se isso não bastasse, foram também mobilizados outros órgãos federais, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para encontrar eventuais formas de prejudicar ainda mais o grupo empresarial que é hoje o maior empregador do Brasil, com mais de 200 mil assalariados, em empresas como JBS, Alpargatas, Flora, Vigor e Banco Original. Um atitude, no mínimo, temerária, num país que já tem quase 14 milhões de desempregados.

Utilizar o estado em benefício próprio e como instrumento de vingança contra adversários, que até ontem eram aliados, capazes até de emprestar aviões particulares com direito a buquês de flores, é um evidente atentado à democracia. Mas democracia é uma palavra que, há muito tempo, deixou de ter significado no Brasil. Ainda assim, até recentemente havia uma preocupação mínima em manter as aparências. Agora, não mais.

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