Temer, Sarney e FHC em ato “pela democracia”. Chamaram Bolsonaro?

Os que elegeram Bolsonaro, montaram uma frente para tentar impedir ou controlar a mobilização que se levanta contra o seu governo e o regime golpista. Só faltou convidar o próprio Bolsonaro

José Sarney
José Sarney
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Por Antônio Carlos, no DCO

A frente ampla, que há poucas semanas divulgou – entre outros – o manifesto “Juntos”, chamando a defender as instituições do regime golpista, a lei e a ordem e a economia e a inexistente democracia brasileira, e se colocou – pela omissão e por declarações de seus principais líderes – contra qualquer mobilização a favor do “Fora Bolsonaro”, está divulgando a realização, nesta sexta, dia 26/6, do 3º Ato em Defesa da Democracia, da Vida e Proteção Social, tendo como promotor oficial o movimento “Direitos Já! Fórum pela Democracia”.

O ato “em defesa da democracia”, tem à frente da sua coordenação, segundo seus organizadores divulgaram na imprensa, um tucano, o sociólogo e coordenador nacional do “Direitos Já!”, Fernando Guimarães, para quem "uma das contribuições mais relevantes das frentes contra Bolsonaro é garantir o pleno funcionamento dos Três Poderes da República".

O embuste obviamente começa pelo fato de que a frente “Direitos Já” ou a “frente ampla, nem de longe pode ser chamada de uma “frente contra Bolsonaro”. Não se posiciona nesse sentido, não propõe a queda do atual governo e tem entre os seus integrantes e convidados alguns dos principais responsáveis pela ascensão do presidente ilegítimo, precursores de sua politica de ataque à população trabalhadora em favor do grande capital e sócios majoritários de todas as iniciativas do governo fascista contra a população.

É preciso destacar ainda “o pleno funcionamento dos três poderes”, todos ele claramente alinhados com o regime golpista, estabelecido com o golpe de Estado de 2016, e amplamente dominados pela direita golpistas podem ser considerados como “contribuições relevantes” para a imensa maioria da população e apenas para os pouquíssimos beneficiários do atual regime, como os bancos e grandes monopólios e suas máfias políticas.

O nome do movimento promotor, "Direitos Já!", é em si mesmo uma fraude. A imensa maioria dos seus mandantes (não os papagaios que lhe prestam apoio, pensando em tirar algum proveito, obter um pequeno ganho) são justamente os integrantes dos partidos, políticos e "técnicos" que impulsionaram e/ou apoiaram o conjunto da retirada de direitos de toda classe trabalhadora, nos últimos anos de golpe. Foram eles, por exemplo, que elaboraram e aprovaram as "reformas" trabalhista e da Previdência e que fizeram as condições de vida e trabalho no Pais retrocederem em décadas. Esse “defensores” dos direitos também aprovaram o congelamento dos gastos públicos por 20 anos e apoiaram toda tipo de medida que cassou direitos democráticos do povo brasileiro, apoiaram e executaram a intervenção militar no Rio de Janeiro, condenaram e prenderam ilegalmente, por 580 dias (até agora), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para impedir a sua vitória eleitoral em 2018, garantindo – dessa forma – a fraudulenta "vitória" eleitoral de Jair Bolsonaro, com o apoio de apenas um terço do eleitorado brasileiro (naquele momento).

Mas se examinamos a lista de confirmados e convidados para ato fica ainda mais evidente a fraude total.

Entre as figura de proa convidadas para o evento constam os ex-presidentes da república, José Sarney (Ex-presidente da Arena/PDS, partido da ditadura militar) que chegou ao governo por meio de um golpe, assumindo a presidência da República sem ter tomado posse ainda como vice-presidente, após a morte do titular Tancredo Neves, depois de terem sido eleitos no Colégio Eleitoral da ditadura, em 1985, e realizando um dos governos de maior expropriação dos trabalhadores até então. Outro vice que assumiu a presidência, como resultado do golpe de Estado de 2016, que também foi convidado, é o senhor "Fora Temer!", como ficou conhecido pelo ódio que seu governo despertou na imensa maioria do povo brasileiro, depois de ter participado da conspiração golpista que levou à derrubada da presidenta Dilma Rousseff. E, mais uma vez, deve figurar como um das principais "estrelas" do evento o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, cujo governo neoliberal e antidemocrático (1995-2002) promoveu a maior liquidação do patrimônio público brasileiro em todos os tempos e é presidente de honra do PSDB, o patrono do golpe de Estado, por meio do processo de impeachment que estuprou os resquícios de democracia no regime anterior derrubando o governo do PT por meio de um processo fraudulento.

Com a presença desses senhores e/ou de seus aliados e parceiros do golpe de Estado e que foram os "pais de Bolsonaro", garantindo a sua eleição fraudulenta, o ato virtual do dia 26/6 nem de longe pode ser confundido com nada que se assemelhe à defesa de nada que seja democrático e que tenha a ver com direitos da imensa maioria da população.

Anuncia-se, por exemplo, a presença de representantes de – pelo menos – 18 partidos, dentre os quais notórios golpistas como Tasso Jereissati (PSDB), Marina Silva e Randolfe Rodrigues (Rede), Marta Suplicy (MDB), Cristovam Buarque e Roberto Freire (PPS/Cidadania), Ciro "Lula tá preso babaca" Gomes e Carlos Lupi (PDT), Carlos Siqueira (PSB). Não faltaram os representante do poderoso "Partido da Imprensa Golpista - PIG"- e justamente de sua ala mais radical e monopolista, a Rede Globo – como Luciano Huck, Fernando Gabeira e Miriam Leitão.

Figuram também na lista grandes capitalistas como a banqueira Maria Alice Setúbal (Itaú/Unibanco), elementos ligados ao aparato de repressão como o general Santos Cruz (ex-ministro de Temer) e o ex-comandante do GATE da Polícia Militar de São Paulo, coronel Diógenes Lucca.

Como estarão os patrões, não faltaram os seus sindicalistas súditos, como os presidentes da NCST e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria – CNTI, o ultra pelego José Calixto Ramos, da UGT e dirigente do PSD de Kassab, Ricardo Patah e, o da Força Sindical, Miguel Eduardo Torres, notórios serviçais da FIESP e de outras entidades patronais e todos eles apoiadores do golpe de Estado.

Para dourar essa "convenção de golpistas", não poderia faltar a presença de alguns dos setores mais reacionários da esquerda que se opõem à mobilização nas ruas contra Bolsonaro e apontam a frente com os golpistas como único caminho para os trabalhadores. É o caso do PCdoB, de Flavio Dino, Manuela DÁvilla e outros; do PSOL, do ex-candidato presidencial, Guilherme Boulos e de deputados como Marcelo Freixo (RJ) e outros; e de setores mais direitistas do PT, como Fernando Haddad, o governador Camilo Santana (afilhado de Ciro Gomes) e outros, que – notoriamente – se opõe à politica expressa por Lula, da presidenta do PT, deputada Gleisi Foffmann e muitos outros, de mobilizar pelo “impeachmnet já! e Fora Bolsonaro”, como aponta – inclusive – recente resolução do Diretório Nacional daquele partido.

Não por acaso, os organizadores do evento procuram – forçadamente – estabelecer uma "comparação com a frente que se formou em 1984, no Brasil"; aqui também com uma nova falsificação. Alegam que tal frente, existiu "para exigir o fim da ditadura militar e o restabelecimento de eleições diretas à Presidência", quando a mesma se impôs em sua fase final e do ponto de vista da política de sua direção, justamente, para impedir que a ditadura fosse derrubada para mobilização popular e para fraudar a vontade popular de eleger pelo voto direto o novo presidente e impor, no seu lugar, um presidente biônico oriundo da própria ditadura militar, José Sarney.

Os que elegeram Bolsonaro, montaram uma frente para tentar impedir ou controlar a mobilização que se levanta contra o seu governo e o regime golpista. Só faltou convidar o próprio Bolsonaro.

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