Temer seria um governo de negócios

Caso a Presidenta Dilma seja derrubada, se instalaria no país um governo de grandes negócios, de subtração de direitos, como tentaram no passado com a reforma da CLT. Michel Temer, aí sim, seria um presidente apenas decorativo, chancelador. Seria imobilizado pela força dos negócios e  responsável por uma escalada de conflitos sem precedentes no país que não se sabe a que nível se chegaria

Brazil's Vice-President-elect Michel Temer leaves the President-elect Dilma Rousseff's house in Brasilia November 3, 2010. REUTERS/Ueslei Marcelino (BRAZIL - Tags: POLITICS ELECTIONS)
Brazil's Vice-President-elect Michel Temer leaves the President-elect Dilma Rousseff's house in Brasilia November 3, 2010. REUTERS/Ueslei Marcelino (BRAZIL - Tags: POLITICS ELECTIONS) (Foto: Laurez Cerqueira)
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Enganam-se aqueles que acham que um golpe parlamentar vai por fim à crise política iniciada pela oposição após a derrota de Aécio Neves.

Ao contrário, vai aprofundar a divisão do país, a população organizada não vai admitir o rompimento da legalidade  e a instabilidade política deve se instalar definitivamente.

Um governo fruto de um golpe parlamentar não terá legitimidade nem reconhecimento da sociedade.

Um eventual governo Temer seria um governo fraco, com forte oposição popular organizada.

Dezesseis governadores, 16 prefeitos de capitais, assinaram manifesto contra o golpe parlamentar, OAB, CNBB,  Fórum de Igrejas, Centrais Sindicais, reitores de universidades, entidades estudantis, artistas, intelectuais, juristas,  e tantas outras categorias, todos contra o golpe.

Apenas a FIESP, entidade empresarial, dominada por multinacionais, por razões óbvias, divulgou manifesto favorável ao impeachment.

O Brasil mudou, não é mais uma  “República de bananas”, tem movimentos organizados, sindicais e populares, capazes de inviabilizar qualquer governo aventureiro.

Tem instituições sólidas, apesar de algumas tomadas por forte politização partidária.

Os sinais emitidos até agora são de que o que está por trás do movimento golpista são grandes negócios internacionais.

O Brasil entrou na geopolítica do petróleo. O setor é o maior polo de negócios do país e um dos maiores do mundo, com a Petrobras ainda no controle da exploração e da produção de petróleo por força de lei.

É a maior cadeia produtiva do país.

As corretoras de negócios em bolsa estão prontas para entrarem em ação. O Senador José Serra, do PSDB/SP, já apresentou projeto de lei no Senado que desmonta a Petrobras.

 

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O deputado Mendonça Filho, DEM/PE, também apresentou projeto de lei na Câmara dos Deputados com o mesmo teor do projeto do senador José Serra. Ou seja, ambos na linha de privatização da Petrobras e da entrega do Pré-sal.

Por incrível que pareça,  os cabeças da equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, que assessoraram o candidato Aécio Neves nas últimas eleições, todos viraram banqueiros depois que saíram do governo.

Hoje operam no mercado financeiro com corretoras poderosíssimas, não só no Brasil, mas no mercado financeiro internacional.

São eles: Pércio Arida (Ex-presidente do Banco Central), André Lara Rezende (Ex-presidente do BNDES), Gustavo Franco (Ex-presidente do Banco Central), Luiz Carlos Mendonça de Barros (Ex-presidente do Banco Central) e Armínio Fraga (Ex-presidente do Banco Central), entre outros.

Além do setor de petróleo, estão de olho nas empresas do setor elétrico e nos bancos públicos. Eles querem retomar o que faziam no governo Fernando Henrique Cardoso: privatizar.

Os golpistas querem golpe parlamentar. Não querem saber de golpe militar. Para eles, militar é coisa velha. Eles têm a favor deles as corporações de mídia que servem a eles e manipulam a massa.

Eles não querem saber dos militares porque são nacionalistas, certamente não se compactuariam com os negócios deles de entrega de patrimônio do país.

Caso a Presidenta Dilma seja derrubada, se instalaria no país um governo de grandes negócios, de subtração de direitos, como tentaram no passado com a reforma da CLT.

Certamente a distribuição de renda, a inclusão social seriam deixadas de lado. Deixariam de ser prioridade.

Michel Temer, aí sim, seria um presidente apenas decorativo, chancelador. Seria imobilizado pela força dos negócios e  responsável por uma escalada de conflitos sem precedentes no país que não se sabe a que nível se chegaria.

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