Temos ainda um dia imenso pela frente

E por fim, queria lembrar aqui o choro do Chico. Entendo, estamos todos muito sensíveis. Mas diante de uma multidão daquela, o bronca do Brown teve mais efeito. Até porque não está nada decidido ainda. Temos ainda um dia imenso pela frente

Temos ainda um dia imenso pela frente
Temos ainda um dia imenso pela frente (Foto: Ricardo Stuckert)

Falta 1 dia para as eleições e esse é o meu último texto sobre o assunto. Porque o projeto era esse mesmo: os dias que antecedem o pleito; as mudanças de expectativa; o desânimo e o estímulo; essa chegada gradativa ao grande momento. Porque no fundo, ninguém tem bola de cristal. Tudo permanece rigorosamente em aberto. E temos ainda um dia imenso pela frente. 

Para os jornalistas da globonews, e eu ouvi com muita atenção o pronunciamento de cada um deles, o resultado já está estabelecido. Ao ponto da bela Andréia Sadi informar que nos bastidores do partido dos trabalhadores já se conta como certa a vitória do adversário. Agora você imagine a cara de babaca de cada um deles caso Haddad vença. A porcentagem de indecisos chega a dois dígitos; a diferença entre os candidatos caiu pra um dígito (algumas pesquisas informam a diferença de apenas cinco pontos); o número de eleitores do adversário, que havia subido no início do segundo turno, voltou às marcas do primeiro turno - o que, em outras palavras, significa que se estabilizou, ao contrário de Haddad que no momento está em franco crescimento. Nessas condições, não precisa ser especialista em pesquisa eleitoral pra saber que é temerário, se não for má-fé, sugerir que a partida está decidida. 

Assisti a sabatina com Haddad na TVE baiana. Os economistas, inclusive o Sr. Marcos Lisboa, têm muito a aprender com Haddad. As questões mais espinhosas, as mais técnicas que você imaginar, na língua de Haddad, se transformam em questões absolutamente simples. E nessa transformação não há nenhuma espécie de redução da complexidade. Não é à toa que em tão pouco tempo Fernando Haddad, que era praticamente desconhecido a nível nacional, se transformou na principal figura política do país. E sobre isso, independentemente do resultado (eu não tenho dúvida que a diferença vai ser mínima), a campanha petista já é vencedora. Basta pensar no golpe sofrido por um governo legitimamente eleito, na prisão injusta do maior líder político desse país, pra se perceber que tudo foi estabelecido previamente pra varrer da história o partido dos trabalhadores. A questão é que em política existem forças ingovernáveis. E quem acabou varrido, nessas eleições, foram os principais partidos que tramaram o golpe. 

A minha paixão sempre foram as forças ingovernáveis. Por isso que essa contagem regressiva só poderia ser feita através da escrita. 

Os atores da globo, uma classe a quem eu sempre fui meio arredio, com seu egos inflamados, merecem aplausos. Pelo menos alguns deles, como a talentosíssima Letícia Colin, na rua, no metrô, disputando voto. Naturalmente não estou me referindo a "Fascistinha do Brasil". 

E por fim, queria lembrar aqui o choro do Chico. Entendo, estamos todos muito sensíveis. Mas diante de uma multidão daquela, o bronca do Brown teve mais efeito. Até porque não está nada decidido ainda. Temos ainda um dia imenso pela frente. 

Quanto a judicialização da política brasileira, já dizia Marilena Chauí: é efeito de uma estrutura neo-liberal. Uma empresa resolve suas questões através do judiciário. O sentido político de democracia representativa, em que os representantes discutem os rumos e os destinos da sociedade é substituído por uma ideia de política enquanto gestão. Mas vamos resistir. 

Eu vou embora.
Arrivederci
Ciro chegou e o seu pronunciamento foi marcado pra segunda-feira.
O que me representa mesmo é a presença de Oiticica na Mangueira. 

Tchau.

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