Temos o direito de entrevistar Cabral e até Satanás

"É evidente que o papel do jornalista é sempre tentar revelar dados novos, de preferência com exclusividade, o que deveria ser aplaudido por um juiz imparcial, pois quanto mais dados ele tiver mais transparente e imparcial será o julgamento. Ao vedarem a Cabral o direito ao contraditório, os magistrados permitem a especulação de que ele poderia revelar fatos que não interessam a eles", comenta o jornalista Alex Solnik, sobre a decisão de um desembargador que proíbe a Folha e O Globo de entrevistar o ex-governador Sergio Cabral na prisão; "A escalada autoritária dos juízes desde a elevação de Moro a 'herói nacional' precisa ser contida antes que seja tarde. Nós, jornalistas não podemos nos calar. Temos o direito e até o dever de entrevistar quem bem queremos, até mesmo Satanás", diz Solnik

"É evidente que o papel do jornalista é sempre tentar revelar dados novos, de preferência com exclusividade, o que deveria ser aplaudido por um juiz imparcial, pois quanto mais dados ele tiver mais transparente e imparcial será o julgamento. Ao vedarem a Cabral o direito ao contraditório, os magistrados permitem a especulação de que ele poderia revelar fatos que não interessam a eles", comenta o jornalista Alex Solnik, sobre a decisão de um desembargador que proíbe a Folha e O Globo de entrevistar o ex-governador Sergio Cabral na prisão; "A escalada autoritária dos juízes desde a elevação de Moro a 'herói nacional' precisa ser contida antes que seja tarde. Nós, jornalistas não podemos nos calar. Temos o direito e até o dever de entrevistar quem bem queremos, até mesmo Satanás", diz Solnik
"É evidente que o papel do jornalista é sempre tentar revelar dados novos, de preferência com exclusividade, o que deveria ser aplaudido por um juiz imparcial, pois quanto mais dados ele tiver mais transparente e imparcial será o julgamento. Ao vedarem a Cabral o direito ao contraditório, os magistrados permitem a especulação de que ele poderia revelar fatos que não interessam a eles", comenta o jornalista Alex Solnik, sobre a decisão de um desembargador que proíbe a Folha e O Globo de entrevistar o ex-governador Sergio Cabral na prisão; "A escalada autoritária dos juízes desde a elevação de Moro a 'herói nacional' precisa ser contida antes que seja tarde. Nós, jornalistas não podemos nos calar. Temos o direito e até o dever de entrevistar quem bem queremos, até mesmo Satanás", diz Solnik (Foto: Alex Solnik)

A decisão de proibir a "Folha" e "O Globo" de entrevistar o ex-governador Sergio Cabral, preso no Rio de Janeiro, formulada pelo desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro e pelo juiz Marcelo Bretas, aquele que ofereceu pipoca a Sergio Moro na sessão de gala de "A Lei é Para todos", atenta não só contra o direito de expressão de Cabral como também contra a liberdade de imprensa, ambos garantidos pela constituição em vigor.

Em bom português, é censura, que foi extinta depois da derrubada do regime militar, em 1985.

Se a lei é para todos, deveria valer também para ele. Eu mesmo, como também vários jornalistas, já entrevistei até assassino na cadeia.

A justificativa elaborada por Abel Gomes parece ter sido extraída de "O Processo", de Franz Kafka:

"É dever do juiz, nas circunstâncias e condições pessoais do paciente, assegurar-lhe a proteção contra qualquer forma de sensacionalismo, o que diante do contexto não está excluído de que possa ocorrer".

O cinismo é avassalador. A Justiça jamais protegeu Cabral de sensacionalismo, muito ao contrário, deixou vazar para a imprensa situações e contextos que transformaram Cabral num monstro muito mais assustador que o Abominável Homem das Neves. Argumento falso, portanto.

Mais grave ainda é ele dizer que uma entrevista, na qual o repórter pergunta e o entrevistado responde poderá ser "uma forma de sensacionalismo".

Ou ele não sabe o que é uma entrevista ou não sabe o que é sensacionalismo.

Notem bem: ele diz que "não está excluído de que possa ocorrer", atuando assim mais como vidente do que como magistrado.

Marcelo Bretas vai além. Diz que "não há interesse público na concessão da entrevista do ora custodiado (Cabral)", sem ter jamais consultado o público a respeito e como se coubesse a ele decidir o que é de interesse ou não da população. E continua:

"Evidencia-se, na realidade, o interesse da imprensa em obter do ora réu a revelação de algum dado novo, com exclusividade, razão pela qual impõe-se o indeferimento dos requerimentos".

É evidente que o papel do jornalista é sempre tentar revelar dados novos, de preferência com exclusividade, o que deveria ser aplaudido por um juiz imparcial, pois quanto mais dados ele tiver mais transparente e imparcial será o julgamento. Ao vedarem a Cabral o direito ao contraditório, os magistrados permitem a especulação de que ele poderia revelar fatos que não interessam a eles.

A escalada autoritária dos juízes desde a elevação de Moro a "herói nacional" precisa ser contida antes que seja tarde. Nós, jornalistas não podemos nos calar. Temos o direito e até o dever de entrevistar quem bem queremos, até mesmo Satanás.

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