Terceira eleição em Israel

Desta vez, Bibi não tem maioria para desfazer o parlamento e convocar novas eleições. Elas só podem acontecer se nenhum partido que receba o mandato do presidente consiga formar um governo e é isso que está por acontecer. Aqui ninguém quer acreditar nesta possibilidade

Brasil, Israel e os anões morais
Brasil, Israel e os anões morais (Foto: POOL)

Israel deve voltar a ter novas eleições em breve. Um impasse nos resultados desta que foi uma eleição inédita por conta do impasse da anterior, não resolveu o problema da formação de um governo.

O atual primeiro ministro não conseguiu uma maioria somando seus aliados naturais do governo anterior. O mesmo acontece com o partido Azul e Branco. Mesmo vencendo em número de cadeiras, uma a mais do que o Likud, não consegue formar uma maioria para governar.

Os atores desta novela mexicana, são partidos ideológicos, paternalistas, religiosos e neutros. O conflito entre uns e outros é imenso e a conciliação quase impossível.

A direita em Israel representa a maioria do povo se acrescentarmos uma pitada de religião. Assim, o Likud, o partido Direita e os dois partidos religiosos compõe a coalizão natural destas forças. Juntos eles chegam a 55 cadeiras. O parlamento Israelense conhecido como a Knesset, tem 120 cadeiras com sistema parlamentarista, são necessários, no mínimo, 61 votos para se formar um governo.

O Likud que já foi um partido laico liberal de direita, passou a ser um partido conservador. Os partidos religiosos que eram afeitos somente aos assuntos pertinentes a religião, se tornaram de direita. Os três formam atualmente um campo inseparável. Junto com eles o partido Direita que é uma combinação de laicos de direita com extremistas religiosos de direita que conseguiram 7 mandatos.

O quinto partido desta receita é o Israel é Nossa Casa. Eles são o que o Likud foi um dia, um partido laico liberal de direita. Não aceitam a ditadura religiosa. Foram eles que derrubaram a coalizão anterior, justamente por discordarem de seus parceiros de governo religiosos. Seu líder é Avigdor Liberman, um imigrante da Rússia. Tanto eles como o Likud, são dois partidos paternalistas. Sem seus líderes teriam pouca, ou nenhuma representatividade. Liberman não aceita um governo com religiosos e sua proposta é de uma coalizão entre o Likud, o Azul e Branco e o seu partido.

Do outro lado temos a Lista Árabe Unida que chegou a 13 mandatos, três a mais do que tinham, graças a expressiva votação dos cidadãos árabes. Como não são partidos sionistas, eles historicamente não entram em nenhum governo. O interessante é que no caso de haver um governo de união nacional, eles seriam o maior partido de oposição e com isso seu líder teria o posto de líder da oposição, algo inédito na história de Israel.

Os dois partidos de esquerda o Trabalhista e o Campo Democrático chegaram a 11 cadeiras. Seriam parceiros naturais de um governo de centro-esquerda. De fato, se somarmos as 32 do Azul e Branco chegam a 43 e se a lista árabe fosse fazer parte, 56! Uma a mais que a direita.

Agora vamos aos problemas. Liberman com respeitáveis 9 cadeiras já disse antes, e reafirmou agora, que não aceita outra coisa que não seja um governo do Likud com o Azul e Branco com ele, ou sem ele. Sendo assim, não aceita formar governo com o Likud e seus aliados, tampouco com o Azul e Branco e os seus aliados.

A proposta do Azul e Branco foi de tirar Bibi do poder e não formar governo do qual ele fosse parte, nem ele e nem os religiosos. Acontece que o Likud não aceita substituir Bibi e muito menos abandonar os religiosos.

Bibi vai pressionar Liberman de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Talvez até ofereça um ano como primeiro ministro, jogando com o ego dele que não esconde seu desejo de um dia ser o chefe da nação. Eu não acredito que possa funcionar, mas nunca despreze o ego de um político.

Não havendo acordo, Bibi vai culpar novamente Liberman pela sua intransigência. Liberman vai culpar o Bibi pelo seu apego ao poder. Gantz do Azul e Branco vai propor ao Likud a substituição de Bibi e vai escutar um retumbante não como resposta. Vai culpar Bibi por seu apego ao poder e Bibi vai culpar Gantz por sua impertinência.

Desta vez, Bibi não tem maioria para desfazer o parlamento e convocar novas eleições. Elas só podem acontecer se nenhum partido que receba o mandato do presidente consiga formar um governo e é isso que está por acontecer.

Aqui ninguém quer acreditar nesta possibilidade. Tampouco apontam uma solução e diante do impasse Israel pode voltar as urnas pela terceira vez sem que a raiz do problema chamado Bibi seja solucionado.

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