Todo dia é dia de ameaça à democracia

"Bolsonaro segue à risca as lições do ministério da Propaganda nazista, cujo principal mandamento era bombardear os alemães com imagens e palavras do Fuhrer em todos os meios de comunicação, 24 horas por dia", diz o jornalista Alex Solnik; "Quanto mais fala, mais os brasileiros percebem que todo dia é dia de ameaça à democracia"

(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia 

A percepção de que Jair Bolsonaro pretende instaurar uma ditadura no país já não é exclusiva da oposição ou da esquerda.

Em entrevista ao “O Globo”, hoje, o ex-ministro Gustavo Bebbiano expõe a sua preocupação com a ofensiva do governo sobre as instituições, em busca da ruptura.

Perguntado se acha que Bolsonaro e Rodrigo Maia vão romper de vez, ele responde sem vacilar: “Já estão rompidos”.

É claro que é péssimo o presidente da República e o da Câmara estarem rompidos, mas no caso atual não é exatamente uma novidade. Bolsonaro rompe com todo mundo, até com a sua sombra. Só não briga com seus filhos.

Até agora já rompeu com Magno Malta, Gustavo Bebbiano, Hamilton Mourão, general Santos Cruz, Paulo Marinho, e está perto de romper com Ônix Lorenzoni, só para citar apenas os mais próximos que o ajudaram a eleger-se.

Não deixa de ser estranho o fato de Bebbiano perceber com tanto atraso o viés autoritário de seu ex-amigo, pois o acompanhou por toda a campanha. Sabia, portanto, de suas intenções.

A entrevista me deixou preocupado. Há em suas palavras uma certa urgência, uma certa apreensão, como se o momento da ruptura estivesse ali na próxima esquina. E ele deve saber o que acontece no governo.

Rápido no gatilho, desde que assumiu, Bolsonaro não passou um dia sequer sem ameaçar e ofender as instituições republicanas e democráticas. A lista de violações à constituição é um recorde histórico.

Só não conseguiu seu intento até agora porque os presidentes da Câmara e do Senado estão resistindo aos seus ataques.

Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, quem diria, não deixam Bolsonaro bancar o ditador. Ele também não conta com a simpatia da imprensa para uma aventura golpista.

Até mesmo “O Globo”, que tenta de todas as formas proteger Moro não passa um dia sem publicar um editorial e vários artigos repudiando as tentativas de implantação de regime único por meio da força.

Um cenário muito diferente do de 1964, quando a mesma imprensa que hoje rejeita o flerte de Bolsonaro com a ditadura apoiou abertamente o golpe militar.  

E o rejeita porque se lembra do grande mal que a ditadura de 64 causou à imprensa e ao país.

Bolsonaro segue à risca as lições do ministério da Propaganda nazista, cujo principal mandamento era bombardear os alemães com imagens e palavras do Fuhrer em todos os meios de comunicação, 24 horas por dia.

Quanto mais fala, mais os brasileiros percebem que todo dia é dia de ameaça à democracia. 

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