Todos os candidatos dependem de Lula

A julgar pelo que acontece até agora – Lula cresce mesmo na dúvida se será candidato – "quando aparecer na TV a tendência é crescer ainda mais, pois o eleitor verá que ele é candidato mesmo", diz o colunista Alex Solnik; "A popularização de Haddad - que já corre o Nordeste com esse objetivo - vai se fortalecer quando ele começar a aparecer no horário eleitoral ao lado de Lula. Aí se dará a transferência de votos", acrescenta; "Quanto mais tempo Lula conseguir manter sua candidatura e se expor junto a Haddad maior será ela"

Todos os candidatos dependem de Lula
Todos os candidatos dependem de Lula

A pesquisa Datafolha de hoje é a terceira seguida que mostra Lula em ascensão e na liderança folgada e absoluta. "Preso, Lula tem 39%" diz a manchete da Folha, tentando atribuir-lhe uma pecha negativa, mas que no caso dele não o atrapalha. Se preso está com tudo isso, imagina solto. A pesquisa também revela que é ele quem segura lá embaixo os candidatos Ciro, Marina e Alckmin. Sem ele na disputa os três crescem. Também é ele que impede a vitória de Bolsonaro, que também cresce e assume a ponta sem Lula. Ou seja, todos os candidatos dependem do desempenho de Lula. É isso que está irritando setores da imprensa conservadora que não se conformam com a demora de Lula em colocar Haddad em seu lugar e o instigam a fazê-lo a toque de caixa.

Quem não tem pressa é Lula. Pressa alguma. Se a sua impugnação for definida hoje pelo ministro Barroso, os próximos sete dias serão dedicados à resposta da defesa. Quando a defesa a entregar será dia 29, a dois dias do início do horário eleitoral. Não há como impedir Lula de entrar no horário eleitoral candidatíssimo.

A julgar pelo que acontece até agora – ele cresce mesmo na dúvida se será candidato – quando aparecer na TV a tendência é crescer ainda mais, pois o eleitor verá que ele é candidato mesmo. Em meio à campanha eleitoral a batalha jurídica vai prosseguir e enquanto não houver sentença final Lula irá em frente.

Não há motivo algum, portanto, para Lula começar a transferência de votos agora, como "recomendam" editoriais muy amigos. Lula não vai cair nessa. O próprio Datafolha mostra que quando ele fica fora e os eleitores não são informados que seu candidato é Haddad, seus votos se dispersam por todos. E voto que vai embora dificilmente volta.

Os editoriais se "preocupam" com o fato de Haddad ser um ilustre desconhecido no país para justificar a necessidade de ele assumir desde logo que é o presidenciável – tese também defendida por vários dirigentes petistas – mas Lula não se preocupa. Ninguém disputou tantas eleições presidenciais quanto ele. Ninguém tem nada a lhe ensinar.

O que esses editoriais escondem com esse tipo de conselho é a ansiedade em alvejar Haddad. Querem que Lula o indique logo para eles começarem a chama-lo de "poste" o mais depressa possível. Não veem a hora de usar logo as pedras que mantêm estocadas. Precisam de tempo para derrubá-lo. E é o que Lula está tentando evitar – com sucesso - ao conter aqueles que defendem a imediata exposição de Haddad em debates.

A popularização de Haddad - que já corre o Nordeste com esse objetivo - vai se fortalecer quando ele começar a aparecer no horário eleitoral ao lado de Lula. Aí se dará a transferência de votos.

Quanto mais tempo Lula conseguir manter sua candidatura e se expor junto a Haddad maior será ela. Quanto mais tempo Lula conseguir ficar na TV maior a identificação Lula-Haddad. E quanto mais o eleitor identificar Haddad com Lula menor será o efeito dos petardos que serão desferidos contra ele.

Como dizia Fernando Collor, "o tempo é o senhor da razão".

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