Tolerância da submissão, ou a resistência da indignação?

A classe trabalhadora é mais de 80% da população, dos quais mais de 70% recebem não mais que dois salários mínimos. A classe é a força que produz as riquezas deste País. O que ainda falta acontecer para ela se rebelar, tomar as ruas e dela não sair até que se restabeleça a democracia e justiça no País?

Lula em Porto Alegre 
Lula em Porto Alegre  (Foto: Enio Verri)

O indecoroso resultado do julgamento do TRF4 sobre a sentença da 13ª Vara Federal de Curitiba, contra o ex-presidente Lula, já era aguardado. O estarrecimento fica por conta da inação da população. Dezenas de milhares de pessoas mobilizaram céus e terra para estar em Porto Alegre, com barulhenta indignação, nas redes sociais. Caravanas de trabalhadores cruzaram o País, desde o Piauí e do Pará, por exemplo, com a promessa de dizer um grande não à perseguição pessoal e política perpetrada contra Lula, pelas mais reacionárias forças econômicas do Planeta.

O que se viu foi um lento e paulatino esvaziamento do campo de batalha, a praça, à medida que o justiçamento contra Lula avançava sob um surreal contorcionismo retórico de magistrados que admitiram, como provas bastantes para majorar a condenação de um cidadão, delação premiada não homologada pelo Ministério Público Federal e uma matéria do jornal O Globo. Este é o nível subterrâneo ao qual o Judiciário chegou. Ou será que sempre foi esse e nunca nos demos conta?

A classe trabalhadora é mais de 80% da população, dos quais mais de 70% recebem não mais que dois salários mínimos. A classe é a força que produz as riquezas deste País. O que ainda falta acontecer para ela se rebelar, tomar as ruas e dela não sair até que se restabeleça a democracia e justiça no País? A homogeneidade nos votos dos desembargadores é um escárnio com a sociedade. A promíscua aproximação entre MPF e Judiciário horrorizou o eminente advogado Geoffrey Robertson, que acompanhou o julgamento como observador internacional.

O caso de Lula tem sido denunciado por diversas instituições da imprensa internacional, como universidades e representantes de governos democráticos. Porém, o' avanço do autoritarismo e do cerceamento à justiça atentam não apenas contra ele, mas, principalmente contra a soberania da nação. O impedimento dele é a possibilidade de a elite financeira eleger o Henrique Meirelles, por exemplo, que vai transformar o Brasil em uma sucursal dos cassinos especulativos do mercado financeiro, alimentados com a força dos trabalhadores, do petróleo, da água e das empresas estratégicas.

Os golpistas sabem que a eleição do Lula será a retomada do investimento e a proteção aos bens nacionais, para o usufruto das brasileiras e dos brasileiros. O pré-sal, nosso bilhete premiado para o futuro, foi aberto às petroleiras estrangeiras. A Petrobras, uma das maiores petroleiras do mundo, está sendo sucateada pelos golpistas, com a colaboração de parte da imprensa, para ser entregue a qualquer preço à nações centro de poder, que utilizarão tanto o pré-sal, quanto a petroleira construída com o suor e o sangue dos brasileiros, para o desenvolvimento de seus povos.

No rastro de destruição privatista, perpetrada pela camarilha golpista, estão: Eletrobras, BNDES, Banco do Brasil, CEF, Correios, entre outras empresas tão importantes e igualmente dos brasileiros. Todas elas são ferramentas estatais de indução do desenvolvimento da nação. Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, FIES, recuperação da indústria naval. Em todas essas ferramentas, programas que criaram cerca de 20 milhões de empregos, tiraram dezenas de milhões de brasileiros da fome e elevaram o Brasil de 16ª para 6ª posição no ranking das economias mundiais.

Se não por ele, por todas as crianças que voltaram a vender balas, quando não o próprio corpo, em todas as esquinas de onde haviam sido retiradas, num processo de 13 anos. Aja diante do retrocesso ao qual o Brasil foi jogado, contra o cada vez mais crescente número de famílias que voltaram a morar nas ruas. Não é possível esperar mais. Ou uma incontida, resoluta e contundente desobediência civil, com a ocupação inarredável das ruas, ou os brasileiros podem assumir que o Brasil não passa de uma República de Bananas e não merece deter a memória de Zumbi, ou de Antônio Conselheiro.

O caminho não é outro senão a criação de mais comitês populares pela democracia e o fortalecimento dos que já foram criados. Famílias indignadas devem convocar os vizinhos. É vital debater a conjuntura política e desenvolver as táticas mobilizadoras das forças, dentro da estratégia de restabelecer a democracia e convocar uma Constituinte Soberana e Popular para estabelecer uma série de reformas, como a agrária, da comunicação e dos três Poderes da República. Somente a ocupação desobediente das ruas é capaz de produzir os resultados almejados.

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