Três meses, já

Antes de derrotar os imperialismos francês e americano e se tornar uma lenda viva em seu país e no mundo, Ho Chi Minh também escreveu poemas nas prisões chinesas da região de Cao Bang, onde foi confinado em 1941, durante as lutas pela libertação do seu país

Três meses, já
Três meses, já (Foto: Arquivo | Ricardo Stuckert )

"O Vietnam é um país onde o presidente envia suas saudações e suas ordens do dia sob a forma de poema e, seguidamente, termina seus discursos em versos" espanta-se a escritora francesa Madeleine Riffaud em "Au Nord Vietnam" (Ed. Juliard, Paris, 1967). Por ocasião do Ano Novo de 1967 ele formulou a seguinte saudação aos vietnamitas:

"Aproxima-se a primavera e componho este poema

Para os meus compatriotas do país inteiro.

Que combatam a agressão americana

E novas vitórias como flores desabrochem".

Antes de derrotar os imperialismos francês e americano e se tornar uma lenda viva em seu país e no mundo, Ho Chi Minh também escreveu poemas nas prisões chinesas da região de Cao Bang, onde foi confinado em 1941, durante as lutas pela libertação do seu país.

Um deles, intitulado "Quatro meses, já" publicado no livrinho "Poemas do Cárcere" (ed. Laemmert, Rio, 1968), traduzido por Coema Simões e Moniz Bandeira mostra o que ele sentiu naquele período e o que Lula deve estar sentindo depois de completar três meses de prisão.

"Um dia encarcerado,

Mil anos lá fora".

Não é vã palavra

Este provérbio antigo.

Quatro meses na cela

Destruíram meu corpo

Mais que dez anos de vida.

Quatro meses de fome,

Quatro meses de insônia,

Sem mudar de roupa,

Sem poder me lavar.

Abandonou-me um dente,

Cabelos branquearam,

Negro, magro, faminto

Vestido de sarna e de feridas.

Mas, paciente sou,

Duro, rijo,

Sem recuar um palmo.

Materialmente miserável,

O moral, firme.

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