Turismo gastronômico, uma opção deliciosa de lazer

O Senac-MG lançou, em Barbacena, o roteiro Serras Alterosas da Mantiqueira, com visita a produtores de leite, queijos, doce e frutas. O roteiro faz parte do programa Primórdios da Cozinha Mineira

Em 2005, com o apoio do Sebrae, eu lancei o livro “Roteiros do Sabor Brasileiro – Turismo Gastronômico”. Naquela época, o turismo gastronômico apenas engatinhava no Brasil e o que funcionava mesmo, de forma organizada e profissional, era a enogastronomia da Serra Gaúcha. 

Além da Serra Gaúcha havia poucos roteiros, mas um deles ganhou destaque no livro, o Circuito das Frutas, que reunia vários municípios paulistas.

Também não havia publicações brasileiras sobre o tema. 

Dividi o país em 18 regiões, mostrando a diversidade de sabores que o turista poderia desfrutar. Dois anos depois, em 2007, lançaria o “Roteiros do Sabor do Estado do Rio de Janeiro – Turismo gastronômico”, pela editora Senac-Rio.

De lá par cá a coisa evoluiu muito, mas ainda não chegamos nem aos pés do que acontece em países como Itália, Espanha, Portugal e Estados Unidos.

Vários circuitos turístico-gastronômicos foram e estão sendo criados, bem como empresas que se dedicam exclusivamente ao assunto, como as cariocas Degusta Turismo e a Umami Tours, das minhas amigas Sonia Olival e Cecília Neves, respectivamente.

Hoje, como o Circuito das Frutas, há vários outros roteiros temáticos, como a Rota Cervejeira, que reúne produtores de cerveja de Petrópolis e Teresópolis, na Serra Fluminense.

Outra amiga, a pesquisadora Juliana Venturelli, criou o “Roteiro Gastronômico lenha no fogão: entre prosas e receitas”, que visita 11 municípios do Sul de Minas.

Há, também, vários roteiros gastronômicos urbanos, desvendando os sabores de bares e restaurantes nas cidades.

Leite, queijos, frutas e doces em Barbacena

Algumas instituições também estão inserindo o turismo gastronômico em seus programas e projetos, como é o caso do Senac-MG, cujo programa “Primórdios da Cozinha Mineira”, coordenado pela pesquisadora gastronômica Vani Pedrosa, lançou na semana passada o seu segundo roteiro: Serras Alterosas da Mantiqueira, no município de Barbacena. Dele, fazem parte cinco estabelecimentos: Laticínios Nosso (produção de queijo Reino), Chácara da Mantiqueira (pomar, com experiência de colheita), Fazenda Graminha (criação de ovelhas leiteiras), Fazenda Maracujá (doce de leite puro, criação de búfalas leiteiras) e Capril Rancho das Vertentes (criação de cabras leiteiras e produção de queijos).

“Com este roteiro, o Senac reconhece em Barbacena o que ela tem de mais valioso: sua história facilmente contada em forma de sabor, em parceria com os produtores locais’, diz Vani.

A execução deste roteiro foi a primeira etapa do projeto na região e contemplou os “produtores dos elementos com maior valor histórico”. Em um raio de menos de 40 quilômetros, foram avaliados: produção leiteira das quatro origens mais significativas do mundo (ovelhas, cabras, búfalas e vacas); doçaria mineira (“rapa do tacho de doce”, quando ao final do preparo toda família e até vizinhos se reuniam para experimentar o doce junto às bordas torradinhas do fim do preparo); produtos orgânicos.

Primórdios

Com o objetivo de resgatar e dar novos usos a hábitos, técnicas e produtos alimentares dos primeiros habitantes de Minas Gerais, o Senac-MG implantou, em 2015, a pesquisa Primórdios da Cozinha Mineira e a transformou em um programa educacional, com foco no desenvolvimento regional. “A iniciativa desvenda a cultura gastronômica do estado, gera renda e valor para o produto gastronômico local e seus produtores, promove o desenvolvimento econômico e o turismo regionais”. 

​O primeiro roteiro criado foi “Entre as Serras - da Piedade ao Caraça”, que abrange as cidades mineiras de Santa Bárbara, Caeté, Catas Altas e Barão de Cocais e tem como base o modelo alimentar local, preservado por mais de 240 anos no Santuário do Caraça.  

Entre os resultados do programa, o Senac-Mg destaca a recuperação do processo de fabricação do Queijo Minas Artesanal do Entre Serras e do Queijo Frei Rosário, curado em ambiente de caverna na Serra da Piedade; o resgate das curas especiais de queijo com base em vinagre balsâmico e óleos especiais; do Hidromel do Caraça e do açúcar purgado. Além disso, o programa identificou na região 65 espécies de verduras, legumes e temperos, 18 frutas originárias da Mata Atlântica, além de recuperar técnicas para aromatização de pratos com flores e frutos regionais. 

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