Um abril, dois, três, quatro... e suas marcas (Final)

"Dos 212 milhões de brasileiros, 162 milhões não se alimentam de maneira mínima, e pelo menos 30 milhões passam fome. É uma tragédia de dimensões terríveis e inédita neste país de absurdos. E não há sinal de luz no horizonte", escreve o jornalista Eric Nepomuceno

(Foto: © Tomaz Silva/Agência Brasil)
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Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia

Fecho aqui a série relacionada a abril, que no belíssimo poema escrito há um século por T.S.Elliot é “o mais cruel dos meses”, e que no Brasil de Jair Messias se tornou o mais mortal.  

Isso, até agora – porque sobram evidências de que a tragédia vai se agravar e se estender nesses tenebrosos tempos de breu.

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Basta recordar que antes mesmo de abril terminar, neste macabro 2021 já morreram mais vítimas da covid que em todo o ano passado. São 195.848 diante de 194.949 em 2020.

Isso quer dizer que entre primeiro de janeiro e 25 de abril foram ceivadas 1.703 vidas a cada dia. Isso quer dizer 71 por hora. Mais de uma por minuto.

Dos 212 milhões de brasileiros, 162 milhões não se alimentam de maneira mínima, e pelo menos 30 milhões passam fome.

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É uma tragédia de dimensões terríveis e inédita neste país de absurdos.

E não há sinal de luz no horizonte.

A grande pergunta que ronda cada minuto do meu dia continua a mesma: como enfrentar essa tragédia? Como criar uma luz no horizonte?

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Resistindo. Cada um com sua arma. 

As minhas são a palavra escrita, a indignação e a memória. A denúncia.

Por esses dias, enquanto é instalada a CPI do Genocídio, me vejo – e imagino que muitos, muitíssimos de nós também – numa situação esdrúxula: pela primeira vez na vida, apoio, e com ênfase, uma figurinha como, vejam só!, Renan Calheiros.

É verdade que tanto o Genocida como o bando de abjeções que o cercam, sem nem vestígio de exceção, contribuem.

No mesmo dia em que se instaura a CPI do Genocídio, um dos filhotes da ditadura (expressão perfeita criada por Brizola), o general empijamado Luiz Eduardo Ramos, ministro da Casa Civil – atenção: desde a ditadura e até o ilegítimo Michel Temer, nenhum militar havia ocupado, numa contradição estridente, a Casa Civil... – admitiu ter tomado a vacina “escondido”.

Escondido de quem? Do Genocida? Do calendário?

Disse também que tenta convencer o Genocida a se vacinar. Diz que faz isso porque “não podemos perdê-lo”. Ora, general, desista dessa ação! Deixe Jair Messias sem vacina!  

No mesmo dia, Paulo Guedes, cujo currículo ostenta dois, e apenas dois, pontos de destaque – ter sido funcionário do sanguinário Augusto Pinochet no Chile, e ter se entupido de dinheiro como especulador aqui no Brasil – dispara frases de uma estupidez comparáveis à de seu chefe, ou quase: pensando bem, em matéria de boçalidade absoluta ninguém, nem mesmo esta anta, é comparável ao Genocida.

E assim caminha não a humanidade, mas este nosso pobre país.

Repito o que já disse aqui um sem-fim de vezes: ninguém, absolutamente ninguém, que ocupe um posto no governo do Genocida vale um tostão furado. Não valem nada.

Mas, às vezes, se esmeram na dura arte de ser uma aberração. E que se reconheça que Guedes é um deles.

O anúncio de que o governo de Jair Messias quer mesmo liquidar o SUS – sua defesa de que só a saúde privada deve prevalecer – é um indício.

Continuo acreditando que algum dia eles, todos eles, do aberrante general – da ativa – do Exército, Eduardo Pazuello, ao mesmo Guedes, sejam levados a um tribunal internacional.

E mantenho a fé de que sejam julgados, condenados, e levados para a prisão. E que lá morram presos e abandonados. 

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