Um amor em cada esquina

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Tem dias que eu sinto que me falta a juventude. Nestes momentos eu me lembro das namoradas que tive e como era lindo o amor juvenil. Para quem não me conheceu ainda, eu era uma rapaz magro, andava de chinelo de couro lap-lap, com uma camiseta de uma manga só e tinha uma vasta cabeleira, que,  em alguns momentos da minha vida, chegou bem perto da bunda. Naquele tempo, se me perguntar a idade eu mando ir pra zorra, arrumar namorada era uma coisa linda. Mas,  lindo foi quando tive duas namoradas ao mesmo tempo. E mais incrível que possa parecer, elas eram irmãs e sabiam dividir o lindão aqui. 

Era muito comum ver gente nova chegando para morar na rua em que vivo até hoje. A construção da barragem da PA IV – Paulo Afonso IV tinha começado, e muitas famílias vinham em buscar de emprego. E como as obras ficavam perto da casa dos meus pais, muitas destas preferiam estar próximos. 

Foi em uma das vindas que eu conheci as irmãs, Amélia e Leide. Confesso que foi amor à primeira vista. Neste caso a primeira visão, eu vi as duas no mesmo momento. O belo aqui, que sempre ficou na esquina, sentado na calçada e vendo as garotas que passavam indo e vindo do Colégio Sete de Setembro, agora tinha outros objetivos que era o de conquistar uma das duas e namorar. 

O tempo passou, e nestes momentos confesso: que demora  é coisa dolorida. Porque o amor tem que fazer sofrer? Me enturmei com elas, fui devagarinho, mas parecendo um mineirinho, e me aproximei primeiro da Amélia. Ela era a mais parecida comigo. Tinha vontades e não escondia isto. Já Leide era mais recatada, vivia por perto, dava toda a pinta de que também tinha interesse, mas quando eu me aproximava ela fugia. Típico das mulheres quando querem fazer chamar a atenção para elas. E não é que a danada fez isto acontecer, e eu que já estava nas primeiras investidas em Amélia resolvi mudar de foco e parti em busca da irmã. Elas acham que nós nunca sabemos o que queremos. Estão erradas. Nós queremos todas. Não entendem que o coração de um homem é tão grande que é pequeno para uma só mulher ocupar. 

Mas nem tudo o que o coração programa sai conforme ele quer. A danada da Leide que também disse querer resolveu que era a sua irmã, quem deveria me ter. Eu então fui a Amélia falei o que acontecia, mostrei que o certo era nós três ficarmos juntos. Eu queria mesmo era as duas. A  Amélia foi até sua irmã e firmaram um acordo arretado. Um dia eu ficava com uma, no outra a outra ficava comigo. Tava indo tudo certo, não havia ciúme entre elas. Todos os amigos sabiam só não a família delas. 

Conversa vai, conversa vem. Um dia, eu estava aos beijos com Leide e a danada da Amélia apareceu. Isto não estava no combinado. E como disse o poeta; o combinado é para ser acatado. Mas a primeira enciumada, e ela não tinha razão, resolveu que daquele dia em diante não mais queria me ver. Fiquei triste em casa, que agora só a Leide tinha para ver. 

O ciúme de Amélia foi tão grande, que um dia deu para  perceber a todos e  me apareceu o pai dela na casa dos meus pais. Ele informou o que vinha acontecendo. Disse que eu teria tirado ousadia com suas filhas e que daquele dia em diante, se eu novamente fizesse, ele então me caparia. Ao ouvir daquela boca, a promessa de me deixar como um eunuco, me fez refletir por muitos dias, o que eu deveria fazer. Mesmo jovem e apaixonado pelas duas, eu tinha mais amor pela minha vida. Mais ainda pelas duas bolinhas, que anos mais tarde me ajudaram a montar minha família. Hoje eu tenho seis filhos. Flávio, Ulisses, Iury, Caio, Lis e Lara que são meus grandes amores. 

Amélia e Leide ainda estão vivas. Moram na mesma cidade que eu. Às vezes passo por elas e me dá uma saudade dos tempos em que um beijo na boca era a prova de um grande amor. Hoje as mulheres pioraram. Só sabem pedir carinho. Reclamam de tudo na vida. E não percebem que nós, os homens, quando arrumamos algum amor nas esquinas, é só uma forma de dar, muito amor e carinho aquelas que sozinhas, não teriam uma chance de conhecer, o que é o amor e o homem ideal. 

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