Um ano de licença-maternidade: a demografia do caos

Licença-maternidade ao longo de um ano é uma fórmula reducionista que, por certo, castrará a realização profissional das mulheres

Mulher grávida
Mulher grávida (Foto: Anya Colman/FEAES)
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Logo após a Segunda Guerra Mundial um demógrafo norte-americano, Kinsgsley Davis, escreveu um livro no qual esboçava os principais traços do que chamou de “Grande Transição” para o moderno sistema familiar, saindo de uma sociedade familial para uma sociedade individualista.

O naturalista Charles Darwin - após sua viagem cartográfica ao arquipélago de Galápagos – aterrissou (aos 29 anos) em sua terra natal, a Inglaterra, e repensou durante algum tempo sobre a possibilidade de contrair núpcias. O "pai da evolução" vislumbrou muito mais contras, do que prós nesta forma de contrato entre partes.

O homem que lançou os pilares da ciência evolucionista teve a clara chance de se decidir quanto ao estabelecimento de uma família. Imaginar como fica a cabeça dos jovens brasileiros (massas de manobra) de um sistema usurpador que os priva do acesso à leitura. Como fazer para difundir o conteúdo de obras como: A História do Casamento e do amor do antropólogo inglês Alan Macfarlane.

Alan Macfarlane desenvolveu um profundo estudo do casamento com suas causas, e seus objetivos tendo como contexto a Idade Média, a Idade Moderna e a contemporaneidade europeia com ênfase britânica.

O antropólogo, professor de Cambridge, através de minuciosa análise documental, percebe que a Inglaterra, desde o século XlV escolhe o caminho do matrimônio ( com ou sem prole) levando em consideração custo e benefício. O inglês desde a Idade Média à revelia da ideologia medieval: casava-se em idade biológica considerada tardia, e por amor.

Na verdade, o sistema malthusiano é um tipo de regulação automática e adequa as taxas de crescimento demográfico às flutuações econômicas em geral. Um gentleman inglês, por exemplo, se optasse pelo casamento com procriação sabia que teria que abandonar esta categoria conquistada; em função dos gastos que tal união ocasiona.

Os ingleses até os dias de hoje relutam em oficializar seus relacionamentos, com vistas a manter sua condição financeira favorável.

Vale a pena ler este compêndio/pesquisa publicado originalmente no ano de 1986 e que ressalta as manobras seculares para induzir tantas uniões entre cônjuges – que em quase toda a Europa e arredores tinham seu direito de escolha extirpado por um modelo matrimonial ditatorial e aparelhado.

Abandonar o barco da Cultura por uma constante dedicação a prole (conclui Alan) segundo sua pesquisa, e eu corroboro com o resultado: que nascimentos e mortes são altamente manipuláveis e compatíveis com o nascimento do capitalismo.

Darwin casou com sua prima Emma, no século XIX, aos 29 anos, faixa etária considerada plena de maturidade para o período – no hoje; no Brasil, os considerados adolescentes (homens e mulheres) iniciam sua jornada sexual (dentro e fora) da instituição casamento entre 12 e 30 anos.

As pesquisas do ano de 2018 apontam 11 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que não estudam nem trabalham. Dentre eles, a grande maioria já possui descendentes. Vamos imaginar o que será deste país, onde a licença-maternidade poderá manter fora do trabalho mulheres por um ano? E homens por três meses...

Nobilíssimos leitores, vocês duvidam que viveremos um caos demográfico que incentivará nascimentos, o que intensifica uma reforma conjuntural (a princípio) e estrutural a posteriori. Este advento maquiado de populismo será a morte anunciada da Cultura, da Educação e da Arte neste país...

O Bolsa família, programa altamente criticado pela direita, compara-se a uma traqueostomia de emergência que salva vidas. Licença-maternidade ao longo de um ano é uma fórmula reducionista que, por certo, castrará a realização profissional das mulheres e incentivará a procriação em larga escala: assinando a ata do Obscurantismo.

Uma nova pirâmide social está sendo delineada por um governo nazifascista que retira direitos trabalhistas e previdenciários ïa favor de uma política de Estado mínimo: onde na base estarão os escravos miseráveis e no cume os príncipes capitalistas selvagens.

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