Um comentário sobre o caso da atriz usada pela mídia

Se o capital é imagem, ninguém terá mais direito à sua própria imagem, pois é ela que está sendo o objeto de todo tipo de violência ligada à manipulação

www.brasil247.com -
(Foto: Reprodução/YouTube)


Na era do espetáculo a imagem vale mais do que a vida. Não há valor fora do sistema que administra o espetáculo como capital que não seja a imagem. O que não é imagem, deve se transformar em imagem. A vida e os corpos que não se espetacularizam não valem absolutamente nada. 

As redes sociais colocaram a espetacularização ao alcance de todos. Os meios de produção do espetáculo estão disponíveis para quem tiver um computador ou um telefone celular.

A exposição é o caminho para o capital espetacular. A verdade, a honestidade e o respeito ao outro escapam ao cálculo desse programa. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Embora a internet como um todo e as redes sociais como empresas que são tenham donos, as pessoas passam a fazer parte do espetáculo como se fossem donas do cyberespaço no qual elas são colonizadas. O acordo entre senhores e escravos digitais se renova. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O espetáculo se torna cada vez mais uma profissão para quem pode trabalhar nele, embora a maioria continue a serviço de poucos, de maneira escravizada. 

O setor do entretenimento administra a imagem como capital em um nível profissional. Nesse contexto, a mídia faz o que quer, sem lei, sem ética.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se a imagem é o novo valor, é lógico que ela será objeto de desejo, de roubos e sequestros. E junto com esses sequestros e roubos, vai a dignidade dos corpos e das vidas às quais estão ligadas as imagens indevidamente apropriadas. 

O capitalismo nunca será honesto e não poupará ninguém. 

Se o capital é imagem, ninguém terá mais direito à sua própria imagem, pois é ela que está sendo o objeto dos jogos de expropriação, apropriação e todo tipo de violência ligada à manipulação. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No contexto de um país em que o capitalismo de desastre e a ideologia do choque se especializam a cada dia, já nos habituamos a esquecer o que aconteceu hoje, esperando o horror de amanhã. Passamos a funcionar conforme o horror do momento. 

Nos transformamos em consumidores do horror, aptos a viver o choque do dia. Somos vítimas da sociedade do espetáculo numa escala infinita. 

Somos objetos do horror, somos consumidores do horror, nos horrorizamos em um looping cotidiano e somos adestrados para seguir no dia seguinte. Não conseguimos nos livrar do mecanismo que nos captura. Assim, a vítima do dia é usada pelo sistema, do mesmo modo que os algozes visuais que gozam no julgamento. 

Assim, a imagem da jovem atriz estuprada, engravidada pelo estupro, que decidiu entregar a criança, fruto do estupro para adoção, foi usada e abusada pela mídia que é parte da cultura do estupro e da misoginia que alimenta o sistema. 

O arrependimento dos algozes foi tão falso quanto o jogo do sistema perverso ao qual servem. 

As desculpas, contudo, não conseguiram ser tão espetaculares quanto o horror e soaram falsas e patéticas. 

Temos consciência desse jogo? 

Essa pergunta é fundamental para poder sair do horror que gera e alimenta esse sistema.

Por isso, esse artigo, não usa o nome da atriz. Para evitar ser parte do abuso produzido pelo algoritmo.

Quem tiver a sorte de pensar sobre isso, talvez possa salvar a própria subjetividade do mal banal que nos torna a todos fascistas em potencial. 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Quero ser membro. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email