Um debiloide

Bolsonaro vai destruir apenas o Brasil. Diariamente de uma maneira atarantada, ele vai derrubando os pilares das conquistas sociais que ajudaram a diminuir as diferenças sociais, que acabaram com a fome, que levaram a mais educação, que aprimoraram o respeito aos direitos humanos, que tornaram o Brasil um pais respeitado no cenário mundial

Um debiloide

Muita coisa já foi escrita sobre o Holocausto. Um evento desta magnitude, quando uma máquina estatal foi criada para aniquilar um povo, deixou marcas de todo tipo. Existem heróis e covardes, combatentes e apoiadores, erros e acertos. Tudo já foi escrutinado.

Um acidente da natureza como um terremoto, um tsunami deixam marcas visíveis. Vidas perdidas, casas destruídas, quase o efeito de uma guerra. A diferença é que são eventos naturais e por mais dor e destruição que causem, existe uma explicação, o que se não serve como conforto, ao menos compreendemos a inevitabilidade do que aconteceu.

Quando falamos do Holocausto estamos falando de um evento acontecido em meio a uma guerra mundial. Uma guerra declarada por um país que culturalmente se encontrava em um nível acima da maioria das nações vizinhas. Que possuía um sistema de governo democrático e que supostamente havia aprendido os erros da guerra anterior.

Havia desemprego e uma crise econômica herdada da guerra e dos acordos assumidos com os vencedores. Judeus conviviam em harmonia dentro da sociedade e muitos casamentos mistos aconteciam juntamente com uma boa parcela de assimilação (judeus não praticantes que nem mais se reconheciam como tal).

A Alemanha, apesar da primeira guerra, ainda era um país plenamente desenvolvido. Nada disso foi suficiente para evitar o que aconteceu e a transformação para um sistema militarizado, antidemocrático, xenófobo, homofóbico e antissemita foi uma consequência do desejo do povo alemão daquela época.

Mas foi principalmente o cidadão comum, aliado com uma elite burguesa, que viram naquele líder carismático e pouco simpático, a oportunidade de ascensão social e econômica. Inicialmente não estavam tão preocupados com os judeus. Os socialistas e comunistas eram o principal inimigo. A democracia um regime a ser substituído por um autoritário.

A sociedade alemã fez então a sua escolha, assim como a brasileira o fez agora. Todos os sinais de que era um erro, de que nada deveria substituir a democracia, de que uma nova guerra viria eram visíveis. Nada foi capaz de mudar o destino. A Alemanha sucumbiu ao canto da sereia, as promessas de uma grande nação, de um futuro brilhante, livres do comunismo e também dos judeus. Uma Alemanha de alemães puros.  

Hitler se mostrava um orador brilhante. Sua oratória aliada ao magnífico espetáculo cenográfico levava as pessoas ao delírio. Tudo era bem coordenado e muito bem executado para criar o máximo efeito visual possível. E deu certo. Líder nato ele sabia exatamente o que deveria ser feito e executou seu plano metodicamente. As consequências para o mundo em geral e os judeus em particular, foi catastrófica. Sem falar para a Alemanha.

Ao contrário do líder alemão Bolsonaro se fosse um orador, já seria alguma coisa. Para nossa sorte ele nem chega a isso. Elevado a presidência também por uma elite burguesa, ele não tem a menor ideia do que isso representa. Parece o novo rico, um cidadão humilde que ganha na loteria e se torna milionário da noite para o dia. Pode fazer qualquer coisa, mas não tem a menor ideia de como fazer.

Bolsonaro não tem classe para ser presidente do Brasil. Não tem envergadura, não possui as mínimas condições que o cargo exige. Nem sabe o que o cargo significa, o que exige e o que pode fazer como presidente. Está brincando de novo rico.

Usa os filhos como uma extensão de seu cargo. Distribui medalhas para seus amigos. Coloca gente em cargos totalmente fora de suas áreas de atuação e faz do Twitter seu palanque. O cara é um verdadeiro debiloide. Não o digo com a intenção pejorativa que a palavra carrega, mas como forma de definir com mais precisão o tipo de pessoa que ele é.

Felizmente Bolsonaro nunca será um Hitler. Mas em comum possui a mesma arrogância, a mesma fantasia homofóbica, o mesmo discurso de atribuir os males da nação a um grupo específico, no caso o Partido dos Trabalhadores. Ao contrário da besta alemã que subjugou povos para baterem continência a bandeira nazista, Bolsonaro é uma besta que voluntariamente bateu continência a bandeira americana.  

Hitler destruiu a Alemanha. Foi o responsável pela divisão do país, de todo o sofrimento causado as nações que se envolveram na guerra e principalmente pelo assassinato de 6 milhões de judeus, entre eles inúmeros familiares meus. O que ele fez é imperdoável.

Bolsonaro vai destruir apenas o Brasil. Diariamente de uma maneira atarantada, ele vai derrubando os pilares das conquistas sociais que ajudaram a diminuir as diferenças sociais, que acabaram com a fome, que levaram a mais educação, que aprimoraram o respeito aos direitos humanos, que tornaram o Brasil um pais respeitado no cenário mundial. Em breve, possivelmente vai cobrar proteção da população como todo bom miliciano.

Nesta data de recordação do Holocausto, não podia deixar de continuar alertando meus leitores das consequências de uma má escolha. A maioria assim o quis e todos vão pagar por ela. Enquanto não for dado um basta, o país vai continuar ladeira abaixo e diferentemente da Alemanha que teve ajuda para sua reconstrução, o Brasil vai custar muito a se recuperar.

 

 

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