Um dia a casa cai

Não é fácil ser assessor de imprensa do ministro Joaquim Barbosa, pois é difícil ficar sempre explicando o inexplicável



O então senador Demóstenes Torres era para a imprensa um herói da luta contra a corrupção. Até ser flagrado em malfeitos.

O ministro Joaquim Barbosa precisa mostrar pelo menos coerência para manter o posto de novo herói da mídia. Não fica bem viajar tanto com tudo pago por dinheiro público, como ele faz, muito menos sair de férias e receber 11 diárias (R$14.142,60) a pretexto de proferir duas palestras, em Paris e em Londres.

A de Paris, de apenas 30 minutos, segundo o repórter Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo.

Essa não é exatamente a postura ética e correta que se espera de um ministro do Supremo Tribunal Federal que gosta de parecer paladino da moralidade – e há quem acredite nisso.

A velha UDN ainda tem seguidores.

Ônus do ofício

Não é fácil ser assessor de imprensa do ministro Joaquim Barbosa, pois é difícil ficar sempre explicando o inexplicável. Toda vez que a assessoria é obrigada a se manifestar em defesa do ministro, a emenda fica pior do que o soneto.

O presidente do Supremo Tribunal Federal tem todo o direito de interromper suas férias em Paris e Londres para proferir palestras. Nenhum problema nisso. O problema é receber 11 diárias, no valor de R$ 14.142,60, para fazer duas palestras.

Para justificar o gasto abusivo do dinheiro público, a assessoria diz que o ministro manterá alguns contatos institucionais que só agora se preocupará em divulgar. Argumento furado e conhecido de servidores, inclusive ministros de Estado, acostumados a colocar alguns eventos em suas agendas para justificar viagens a lazer e o recebimento de diárias.

Ou seja, o servidor passa o dia gozando a folga e ocupa uma ou duas horas com um evento, e assim tem “cobertura” para o ilícito.

O que, decisivamente, não pega bem para o dirigente máximo do Poder Judiciário.

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