Um governo de inimigos formado por traidores do povo

A conjuntura brasileira parece que segue o roteiro de filme de terror ruim, daqueles em que a situação sempre pode piorar. Até a oposição contribui para este roteiro

Eduardo Pazuello e Jair Bolsonaro
Eduardo Pazuello e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)
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A segunda semana de janeiro talvez seja marcada como a mais surpreendente da história do país. Acuado, o governo de traidores do povo explicitou seu lado mais nefasto, escancarando seu viés de inimigo do povo. Em entrevista antiga, Jair Bolsonaro já havia exposto seu caráter assassino ao dizer que a ditadura havia matado pouco e que tinha que ter matado uns “30 mil”. Seu governo já superou em muito esta marca e já pode ser responsabilizado pela morte de mais de 200 mil brasileiros. Se tem algo que Bolsonaro não pode ser acusado é de ser mentiroso. Durante a campanha ele declarou, repetidas vezes, que era incompetente, declarou que a sua “especialidade é matar” e que mataria e torturaria brasileiros.

A conjuntura brasileira parece que segue o roteiro de filme de terror ruim, daqueles em que a situação sempre pode piorar. Até a oposição contribui para este roteiro. O governador de São Paulo, João Doria Jr., outrora autointitulado Bolsodoria, no afã em utilizar politicamente a produção e distribuição da vacina Coronavac, divulgou, de maneira desastrosa, os dados sobre a eficácia desta vacina. Enfatizou que a eficácia da vacina é de 50% e deu munição para os negacionistas, os antivacinas e os traidores no governo. A divulgação dos resultados da Coronavac deve ter sido elaborada por alunos do primeiro período de um péssimo curso de comunicação social. Ao invés de enfatizar uma quantidade de estatísticas que induziu a população ao erro, deveria ter enfatizado que quem toma a vacina não morre. Pode contrair a doença, pode até mesmo ser internado, mas não morrerá. Logo, ela é eficaz. A partir desta divulgação desastrosa, as redes sociais foram invadidas por apoiadores dos traidores ridicularizando os resultados da Coronavac.

No início desta semana de horrores, o Ministro da Saúde, o grande especialista em logística do exército brasileiro, general de divisão Eduardo Pazuello, a mando do capitão Bolsonaro, foi a Manaus anunciar novas medidas de combate à Covid-19. A principal delas visa incentivar o uso da cloroquina como “tratamento precoce” de combate ao coronavírus. Esta atitude mostra bem como este governo despreza o povo. Dificulta ao máximo o uso de uma vacina cuja eficácia foi comprovada pelo uso em diversos países. O tacanho capitão chegou, mesmo, a ironizar a Coronavac após a divulgação de seus resultados pelo Instituto Butantan, afirmando "essa de 50% é boa, não? O que eu apanhei por causa disso, agora estão vendo a verdade. Quatro meses apanhando por causa da vacina".  Se questionam a vacina eficaz, por um lado, por outro lado os traidores incentivam o uso da cloroquina, medicamento que estudos de organismo sérios já demonstram não ter eficácia nenhuma, nem de 50%. O incentivo do governo ao uso da cloroquina deve-se à necessidade de esvaziar os estoques de cloroquina que, a mando do governo, foram fabricados pelo laboratório do exército.Na quinta-feira 14 de janeiro, circulou pelas redes sociais propaganda oficial criticando o uso de máscaras, afirmando que o lockdown não funcionou e defendendo o uso da cloroquina como tratamento precoce. Publicidade oficial do governo, feita com verbas públicas, divulgando informações que já foram rebatidas, refutadas e criticadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), bem como por todos os cientistas sérios do mundo. O filme publicitário Brasil vencendo o(sic) Covid faz parte desta campanha. Nele, um monte de famosos que tiram as máscaras enquanto cantam que querem respirar, que o Brasil está vencendo a Covid-19 e que o lockdown não funcionou. Utilizar verbas públicas para difundir informações falsas e desinformação não caracteriza um crime de responsabilidade? Onde estão o Ministério Público Federal e as outras instituições da República que assistem a tudo isso inertes?

O caso do avião que seria enviado à Índia para buscar dois milhões de doses da vacina da AstraZeneca é outro fato que demonstra a inutilidade deste governo. A operação foi montada às pressas para que Bolsonaro pudesse iniciar a vacinação antes de Doria. Por trás de sua organização, o ministro Ernesto Araújo (não podia dar certo, não é mesmo?). A compra dessas doses não havia sido devidamente finalizada e a Índia negou-se a disponibilizá-las a tempo para o circo armado por Bolsonaro e Araújo. Para evitar que Doria comece a vacinação antes de Bolsonaro, o ministro especialista em logística requisitou as seis milhões de doses da Coronavac estocadas no Butantan. Deve segurar a sua distribuição até que as vacinas vindas da Índia cheguem ao Brasil. Enquanto isso, que os brasileiros contaminem-se e morram, incentivados pela propaganda oficial do governo.

A incompetência do governo está matando asfixiados pacientes nos hospitais de Manaus. Chamo de incompetência, embora ache que seja um projeto genocida posto em prática para eliminar pobres e idosos. A falta de oxigênio nas unidades hospitalares desta capital atinge a todos, desde recém-nascidos em UTIs a infectados por coronavírus. A Força Aérea Brasileira (FAB) alegou não haver aeronaves disponíveis para transportar botijões de oxigênio de outras cidades para Manaus. O ministro grande especialista em logística fora avisado pelo Ministério Público desta situação com antecedência e nada fez. Como ele mesmo falou, não pode fazer nada a não ser esperar que o oxigênio chegue à cidade. O que ele não pôde fazer, Nicolás Maduro, presidente legitimamente eleito da Venezuela, fez e um avião venezuelano chegará a Manaus no domingo com uma carga de cilindros de oxigênio. E o ministro grande especialista em logística, cinicamente afirmou que a situação em Manaus está fora de controle porque a cidade “não deu atenção a tratamento precoce” com cloroquina e ivermectina. Tratamento este que a OMS e os cientistas já demonstraram que não tem nenhuma eficácia. 

É preciso lembrar que o governador do Amazonas quis endurecer as medidas de quarentena em dezembro. Foi dissuadido pela reação dos lojistas e empresários locais, fato que os deputados Bia Kicis (PSL-DF) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) comemoraram em suas redes sociais. Ambos são cúmplices dessas mortes por asfixia. Mais uma vez a defesa dos CNPJs falou mais alto do que a defesa dos CPFs e o número de mortos multiplicou-se.

A esta caótica conjuntura, junte-se o fim do auxílio emergencial que jogará milhões de brasileiros na miséria.

A população começa a reagir. Som de panelas voltaram a cortar os céus das cidades brasileiras na noite do dia 15 de janeiro, em protesto contra o caos instalado no Brasil.

Carreatas contra Bolsonaro estão sendo organizadas. Algumas pedem que os participantes não levem bandeiras. Os sem-bandeiras não aprendem. Contribuíram para colocar o país neste caos e, agora, insistem nesta postura despolitizada, sem ter a dignidade de pedir desculpas ao país pelo que a ele fizeram. É preciso participar destas carreatas levando suas bandeiras, palavras de ordem e cartazes. É preciso marcar posição e mostrar que não são todos a mesma coisa. A esquerda tem propostas para um país mais justo e igualitário. É preciso mostrar que é a esquerda que defende os interesses nacionais e populares. O uso de bandeiras nessas carreatas evitará que a direita aproprie-se dessas manifestações como fez em 2016.

No Congresso Nacional, Rede, PSB, PT, PCdoB e PDT anunciaram que entrarão com pedidos de impedimento de Bolsonaro em função da crise sanitária vivida no Amazonas. 

As redes sociais intensificam cobranças ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para que coloque em votação algum dos mais de 50 pedidos de impedimento de Bolsonaro já recebidos pela Câmara e permita que Bolsonaro seja expurgado do poder.

A batalha está apenas no começo. O certo é que a sociedade brasileira não deve, em hipótese alguma, permitir que Bolsonaro e seus traidores cheguem ao final de 2021 no poder. Ele está tramando um golpe de estado e propôs que o controle das polícias civil e militar seja transferido para o Governo Federal. Se ele alcançar este intento, só o povo armado nas ruas poderá evitar que Bolsonaro e seus asseclas (ou serão acepipes?) deem um golpe de estado na já fragilizada democracia brasileira.

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