Um manda, os outros – todos os outros – obedecem

"Ao curvar o lombo diante de Jair Messias, o general Nogueira deixou escorregar rumo ao chão, e sem volta, sua dignidade", escreve o jornalista Eric Nepomuceno sobre o perdão ao general Eduardo Pazuello

Eduardo Pazuello e General de Exército Paulo Sérgio com Bolsonaro
Eduardo Pazuello e General de Exército Paulo Sérgio com Bolsonaro (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado | Marcos Corrêa/PR)
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Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia

Na verdade, ficou tudo como era antes, desta vez não no quartel de Abrantes, mas no de Jair Messias. 

O general de quatro estrelas Paulo Sérgio Nogueira, comandante do Exército, engavetou o processo disciplinar contra o general de três estrelas Eduardo Pazuello, seu duplamente subordinado, por ter participado de um ato político-eleitoral, o que é vedado a militares da ativa. 

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Ao determinar que não fosse aplicada nenhuma punição a Pazuello – nem mesmo uma simples advertência – o general comandante evitou que a medida fosse cancelada por Jair Messias, o que provocaria uma crise de graves proporções entre o Exército e o presidente da República, comandante máximo das Forças Armadas. 

Só que ao curvar o lombo diante de Jair Messias, o general Nogueira deixou escorregar rumo ao chão, e sem volta, sua dignidade. 

Difícil acreditar que ele continue contando com o respeito de todos os integrantes do Alto Comando do Exército. E que ninguém pense que ele deva esperar alguma gratidão de Jair Messias. 

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Submeter o comandante do Exército a semelhante avassalamento mais parece vingança de Jair Messias por ter sido escorraçado dos quartéis, depois de um sem-fim de punições por indisciplina, inclusive quinze dias em cana. 

O recuo do general Nogueira poderá ter marés de consequências, nenhuma delas positiva. 

Entendo, porém, que existe um componente que não deve passar despercebido. O Exército e, por tabela, as Forças Armadas, seriam, nesse caso, apenas mais uma instituição a ser afrontada por Jair Messias. 

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O desmantelamento do Estado é a missão mais obsessiva do presidente da República. Isso vale para todo canto que se olhe, da Fundação Palmares ao Ibama, das artes e da cultura às ciências, da saúde pública ao patrimônio nacional: não há nada, absolutamente nada, que escape da sanha demolidora do pior presidente da história da República. Aliás, do pior governo. E, para enevoar mais ainda o cenário, que coincide com um dos piores e mais baixos Congressos do último século. 

Não há sinal de reação da parte do Exército. E isso pode ter duas razões, e ambas são preocupantes.

A primeira: falta coesão entre o Alto Comando e falta liderança da parte do general Nogueira. 

A segunda: Jair Messias ganhou. Ao submeter o Exército aos seus desígnios nada dignos (aliás, existe algum vestígio de pó de dignidade em Jair Messias?), ele apenas expandiu o que disse um general poltrão, mentiroso e incapaz chamado Eduardo Pazuello: um manda, o outro obedece. Esse “um” é cada vez mais Jair Messias, e o outro agora são todos os outros.

Há uma terceira vertente, mas – ao menos por enquanto – prefiro nem pensar nela: diante das eleições do ano que vem e da cada vez mais elevada possibilidade de que Lula dê uma varrida contundente e humilhante no Genocida, o Exército tenha optado por ficar, desde já, ao seu lado. 

Para o que der e vier. E, principalmente, para que não venha quem está por vir.

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