Um ministério para o DEM?

Algo vai muito mal, na articulação política, quando um governo não pode contar com seus próprios aliados e passa raspando, em votações importantes, graças à adesão acidental de oposicionistas.

Algo vai muito mal, na articulação política, quando um governo não pode contar com seus próprios aliados e passa raspando, em votações importantes, graças à adesão acidental de oposicionistas.
Algo vai muito mal, na articulação política, quando um governo não pode contar com seus próprios aliados e passa raspando, em votações importantes, graças à adesão acidental de oposicionistas. (Foto: Leonardo Attuch)
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É quase surreal, mas o governo Dilma deve à oposição, em especial ao DEM, a aprovação da primeira etapa do ajuste fiscal na semana passada, com medidas que criam controles mais rígidos no acesso a determinados benefícios sociais, como o seguro-desemprego. Sem os oito votos do DEM, os sete do PSB e os três do PV, o Palácio do Planalto teria sido derrotado, no primeiro teste de fogo do vice Michel Temer na articulação política.

Do lado governista, a principal deserção foi do PDT, que tem o ministro do Trabalho, Manoel Dias, e votou em peso contra o ajuste considerado crucial pelo ministro Joaquim Levy. O mesmo PDT cujo presidente Carlos Lupi, dias antes, havia criticado o PT por "roubar demais". Se o partido é incapaz de acompanhar o governo a que pertence numa hora decisiva, qual é sentido de mantê-lo à frente de um ministério tão importante, como o do Trabalho?

Algo vai muito mal, na articulação política, quando um governo não pode contar com seus próprios aliados e passa raspando, em votações importantes, graças à adesão acidental de oposicionistas. Um dos responsáveis por esse socorro, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou, com boa dose de exagero, que o Brasil "iria quebrar" se os democratas não votassem em peso pelo ajuste. Outro parlamentar que votou a favor, José Carlos Aleluia (DEM-BA), disse que a oposição não pode ser "destrutiva" nem apostar no "quanto pior, melhor". Mais: afirmou ainda que votou por convicção.

Diferentemente de Aleluia, outros parlamentares que votaram a favor do ajuste apresentaram a conta no dia seguinte, encaminhando pedidos de cerca de 70 cargos no segundo escalão da máquina pública federal. Disseram ainda que se Temer e seu articulador informal, o ministro Eliseu Padilha, não forem capazes de entregá-los, haverá retaliação nas próximas votações das medidas provisórias do ajuste. Ou seja: chantagem explícita e escancarada.

Ao menos, o comportamento dos parlamentares serve para revelar à sociedade a natureza das relações entre os poderes Executivo e Legislativo. Se essa é a lógica, não faz sentido algum manter Manoel Dias e o PDT à frente do Ministério do Trabalho.

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