Um pedido a Alckmin: vá conversar com os meninos

Em carta aberta para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o jornalista Camilo Vannuchi diz ter ficado "um tanto ressabiado" ao ver que a Justiça determinou a reintegração de posse da escola estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros; ele ressalta que "está preocupado com o que pode acontecer em Pinheiros nas próximas 24 horas"; "Aprendi cedo que escola é lugar de giz, e não de bala. Que adolescente se enfrenta com pedagogia, e não com gás de pimenta e bordoada. E cresci acreditando em governo aberto, em gestão participativa, em fóruns e conselhos capazes de debater os assuntos mais estratégicos até exauri-los e criar consensos. Chegue à escola Fernão Dias Paes antes das tropas encarregadas de cumprir a reintegração de posse. Trate os jovens com bom senso", aconselha

Em carta aberta para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o jornalista Camilo Vannuchi diz ter ficado "um tanto ressabiado" ao ver que a Justiça determinou a reintegração de posse da escola estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros; ele ressalta que "está preocupado com o que pode acontecer em Pinheiros nas próximas 24 horas"; "Aprendi cedo que escola é lugar de giz, e não de bala. Que adolescente se enfrenta com pedagogia, e não com gás de pimenta e bordoada. E cresci acreditando em governo aberto, em gestão participativa, em fóruns e conselhos capazes de debater os assuntos mais estratégicos até exauri-los e criar consensos. Chegue à escola Fernão Dias Paes antes das tropas encarregadas de cumprir a reintegração de posse. Trate os jovens com bom senso", aconselha
Em carta aberta para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o jornalista Camilo Vannuchi diz ter ficado "um tanto ressabiado" ao ver que a Justiça determinou a reintegração de posse da escola estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros; ele ressalta que "está preocupado com o que pode acontecer em Pinheiros nas próximas 24 horas"; "Aprendi cedo que escola é lugar de giz, e não de bala. Que adolescente se enfrenta com pedagogia, e não com gás de pimenta e bordoada. E cresci acreditando em governo aberto, em gestão participativa, em fóruns e conselhos capazes de debater os assuntos mais estratégicos até exauri-los e criar consensos. Chegue à escola Fernão Dias Paes antes das tropas encarregadas de cumprir a reintegração de posse. Trate os jovens com bom senso", aconselha (Foto: Camilo Vannuchi)
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Exmo. Sr. Gov. Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho:

Sei que a vida anda agitada. Não é fácil conviver com notícias como a de que metade da população considera ruim ou péssima sua gestão dos recursos hídricos, ou que seu secretário de Segurança Pública resolveu dar chá de sumiço em pelo menos uma centena de homicídios cometidos por policiais nos últimos meses, apenas para maquiar as estatísticas de criminalidade.

Mas o senhor é experiente, já exerce há um bom tempo a função de governador, e é capaz de lidar com esses contratempos com um pé nas costas. Um pé nas próprias costas, quero dizer. Figura de retórica. Coisa que não tem nada a ver com meter o pé nas costas dos outros.

Olha só, estou aqui acompanhando o noticiário, tanto a imprensa golpista quanto a imprensa petralha, e fiquei um tanto ressabiado ao ver que a Justiça determinou reintegração de posse da escola estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros. Ontem, dezenas de policiais estavam no local, dispostos a fazer valer o poder coercitivo da força, como sói acontecer sob sua gestão.

Digo isso não para acusar, mas para demonstrar que tenho algum conhecimento das ações truculentas da polícia paulista. Vivo em São Paulo há 36 anos, sou jornalista há 15, estava na cidade em junho de 2013, e tenho pelo menos um amigo fotógrafo que perdeu a visão de um olho por causa de uma de bala de borracha - por certo uma bala de borracha rebelde, indisciplinada, que inventou de agir de maneira incorreta e foi se alojar justo no globo ocular do colega fotógrafo. Somos todos piratas.

Mas, voltando ao assunto, tem um lance que eu não entendi direito nessa história de reintegração de posse. Não seriam os estudantes aqueles que, na prática, estão tentando executar a reintegração de posse dos colégios de São Paulo, ou seja, resgatar sua função social, como espaços de ensino? Neste caso, especificamente, não seria razoável dizer que o verdadeiro "invasor" é o governo de vossa excelência?

Estou preocupado com o que pode acontecer em Pinheiros nas próximas 24 horas, agora já um pouco menos, até esgotar o prazo concedido pela Justiça para a referida integração de posse. Aprendi cedo que escola é lugar de giz, e não de bala. Que adolescente se enfrenta com pedagogia, e não com gás de pimenta e bordoada. E cresci acreditando em governo aberto, em gestão participativa, em fóruns e conselhos capazes de debater os assuntos mais estratégicos até exauri-los e criar consensos.

Gostaria que o senhor chegasse à escola Fernão Dias Paes antes das tropas encarregadas de cumprir a reintegração de posse. Tenho calafrios com essas reintegrações. Dos prédios ocupados por movimentos de moradia à reitoria da USP, nunca as reintegrações são feitas sem que haja abusos. É ruim para os movimentos, ruim para a polícia, ruim para a sua popularidade.

Por isso insisto: venha o senhor, para dialogar. Trate os jovens com bom senso e algum idealismo. Eles estão defendendo o patrimônio do estado e o direito de estudar, pombas! Não é possível que se busque criminalizá-los por isso. Não se trata de um levante na Fundação Casa, nem foram armadas barricadas para defendem uma boca de fumo. Trata-se de defender mais escolas e menos presídios.

Você pode chegar rapidamente ao Fernão pegando o ônibus 775-F bem em frente ao Palácio dos Bandeirantes. Ele vai com o nome de Hospital das Clínicas e sobe a Teodoro Sampaio. O tempo estimado é de 35 minutos no percurso. Desça no ponto mais próximo da esquina com a Pedroso de Morais. O colégio fica na Pedroso, já no primeiro quarteirão. Traga o secretário de educação com você, se achar conveniente.

Ah, se vocês forem voltar de ônibus para o Morumbi, a linha é a mesma 775-F. Aparece como Jardim das Palmas no letreiro. Ele desce a Cardeal.

Atenciosamente,

Camilo

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