Uma carta aberta a Benedita

Para que o PT do Rio encontre a trilha das transformações reais, necessita ter clareza que o ponto de partida é o enfrentamento com o golpe estabelecido, iniciado pelo aliado estratégico e inimigo comum de classe

Se o Bola estivesse vivo, confesso que não saberia qual seria seu comentário, sobre a narrativa estabelecida pela sua então companheira no Chapéu, no artigo ““Jogar unidos para ganhar a partida!”? O Rio de Janeiro recuperou alguma ressonância política com Brizola, com Darcy, com Saturnino, mas foi devidamente destruída pelo Moreira, Alencar, Cabral e Pezão!!! Para chegar neste despropósito governamental, chamado Witzel, servido na presidência da Alerj, pelo André Ceciliano.

As mãos foram largadas quando nos aliamos exatamente com os inimigos da inclusão estrutural, aqueles que foram considerados estratégicos, o PMdb! Ou o projeto "Ponte para o futuro" não foi o anúncio do golpe? Teremos muita dificuldade para voltar pela trilha das transformações. 

Também tenho a lembrança dos militantes do movimento estudantil que percorriam favelas da Zona Sul para dar sentido programático às nossas campanhas de filiação! Filiações que não instrumentalizavam votos de cabrestos em PED's! Por isso, que ao longo dos 40 anos, o filiado perdeu voz e vez, entre precarizados, intermitentes, desorganizados e desempregados. 

A luta contra a ditadura militar envolveu a organização das mulheres. Mulheres que representaram muito bem a capacidade de construção programática de um partido transformador, ainda clandestino nos anos 1970! Lembro da Ângela Borba, lembro do auditório da antiga sede, com o seu nome. Me pergunto, onde foi parar esta placa, cujo simbolismo apontava para uma mudança que começaria pela rotina orgânica? É verdade a luta comunitária integrou um conjunto de movimentos contra a ditadura, onde se inseriam o sindical, o estudantil, o cultural.

Sua trajetória é inegavelmente importante na construção deste partido que hoje comemora 40 anos com apenas 1 deputada federal, 3 estaduais e 2 vereadores na capital.

Falamos tanto em unidade neste partido e na esquerda. A delineamos no campo amplo progressista, para delimitarmos o espectro ao democrático-popular, por vezes transpondo experiências bem sucedidas dos nossos irmãos latinos. Enchemos a boca para falar em libertação “social”, no enfrentamento do racismo, do machismo e da homofobia, mas pouco apoio ganham na luta interna e na representação efetiva. Esta unidade foi negada exatamente por um campo constituído ao longo destes últimos 30 anos, do qual fizestes parte. Por sinal com um projeto nacional e intervenções regionais negativas, como a que ocorreu no Rio, em diversas oportunidades.

Contradições existirão na construção partidária e na formulação de políticas de alianças, quando ambas abandonam suas bases originais. Chegamos ao governo, sem poder constituído para mudar estruturalmente a vida deste povo, que em sua maioria desconhece o valor da democracia. Ele quer segurança, saneamento, moradia, educação, saúde, emprego, lazer! Desconhece seus direitos e garantias fundamentais perdidos com o golpe direcionado para a maioria dos quase negros, sempre excluídos. Ajudamos à fundar o PT para processarmos uma ruptura com o modelo tradicional excludente da sociedade, para não dizer de partidos fechados.

Nosso Rio é produto de décadas de descaso e ausência de políticas urbanas estruturais e inclusivas, para muito além da histórica especulação imobiliária. Creio que nomes como Tamoyo, Klabin, Coutinho, Alencar, Maia, Conde, Paes, Crivella, no pós fusão dos estados da Guanabara e Fluminense, sejam os melhores exemplos de cidade partida e excludente, mesmo em suas intervenções pontuais urbanas domesticáveis, particularmente no período sinalizado pelos grandes eventos, com custos exorbitantes, assim como suas intermediações! Nossa juventude quase negra é assassinada há décadas, na realidade a juventude parda em sua maioria. É nesta cidade que assistimos a Light ser privatizada e estatizada com naturalidade, por diversas vezes. Da mesma forma que parte da nossa bancada aderiu à terceirização e quarteirização da saúde e educação. Da mesma forma que assistimos passivamente o André Ceciliano votar pela privatização da CEDAE. A mesma CEDAE que joga esgoto nas torneiras principalmente nas sempre áreas periféricas.

Lamentavelmente nossos desafios internos e externos são imensos. Internamente sequer praticamos a radicalização democrática. A hegemonia instalada na burocracia tem medo de implantar o orçamento participativo, o portal da transparência e o justo sistema de consultas periódicas, plebiscitos e referendos obrigatórios. Esta mesma hegemonia conserva os núcleos como instância figurativa, sem poder decisão e de construção, como estabelecido na carta de fundação!!!

Para que o PT do Rio encontre a trilha das transformações reais necessita ter clareza que o ponto de partida é o enfrentamento com o golpe estabelecido, iniciado pelo aliado estratégico e inimigo comum de classe. No Rio nossos inimigos são o Crivella, Paes, Witzel, Bolsonaro e os financiadores e financiados do golpe de 2016!!! A candidatura própria colocará em risco as duas vagas que possuímos no parlamento municipal e a opção por uma campanha coletiva que valorize a lista com os nomes importantes, com expressão social e política determinante.

Unidade sim, com algum princípio básico!!!

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