Uma só luta: fora Bolsonaro e Lula presidente

Contra a política capituladora da esquerda frente amplista, lutar pela democracia no movimento Fora Bolsonaro e por fortalecer um bloco classista no movimento

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(Foto: Reprodução)
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Por Antônio Carlos da Silva

Os atos de 2/10 e um conjunto de fatos da situação política apontam em direção a uma polarização política cada vez mais intensa.

Isso é o que a burguesia golpista e suas máfias políticas procuram, a todo custo, evitar. Para essa “operação abafa”, contam com o apoio de setores da esquerda burguesa e pequeno burguesa defensores da “frente ampla” com a direita, que são – de fato – comprometidos com a submissão dos trabalhadores e de suas organizações à política ditada em cada etapa do golpe pela burguesia e por sua venal imprensa capitalista.

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Após o sucesso dos primeiros atos convocados e organizados pela esquerda, tendo à frente organizações de alguma forma vinculadas à luta dos trabalhadores como a CUT, CMP, MST, grandes sindicatos e com a presença de milhares de jovens e trabalhadores revoltados com a situação política em que a direita avança sem dó nem piedade contra as condições de vida da imensa maioria do povo (genocídio, recorde de fome e desemprego, cortes nos gastos sociais etc.) ao mesmo tempo em que acelera a entrega da economia nacional (privatizações, marco regulatório das ferrovias, leilões etc.), a direita, com apoio dos seus aliados da esquerda e de infiltrados do movimento, buscou – freneticamente – conter e abortar a mobilização, colocando-a, cada vez mais, sob o seu estrito controle.

Foram várias as etapas dessa tentativa de contenção, todas elas enfrentadas e derrotadas – em alguma medida – pela enérgica reação dos setores classistas, com um apoio popular cada vez maior.

Tentaram pintar as manifestações de verde e amarelo, para torná-las agradáveis à direita coxinha, os atos foram ficando cada vez mais vermelhos.

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Tentaram dar vez e voz, nos atos da esquerda, a notórios fascistas e inimigos das lutas dos trabalhadores; o repúdio foi enorme e o setor que se opõe a essa política, o bloco Vermelho foi se fortalecendo.

Lançaram calúnias em que acusavam o setor mais consciente desse bloco, o PCO e seus militantes revolucionários, dentre outras coisas de roubarem celulares, espancarem idosas,chutarem cãezinhos e quem sabe até de “comer criancinhas”. A unidade entre os setores combativos aumentou.

Fizeram campanha e, de certa forma, proibiram a presença da maior liderança popular do País, o ex-presidente Lula, nos atos, e até que os atos se pronunciassem a favor de sua candidatura. Isso quando até mesmo pesquisas apontaram que quase 80% dos presentes nos atos são apoiadores de Lula.

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Não adiantou, os atos clamam cada vez mais: “Brasil urgente, Lula presidente!”.

Usaram de todo tipo de manobra de aparato (veja nas matérias desta edição), como proibir passeatas (onde os ativistas podem se pronunciar sem as amarras da maioria dos oradores defensores da “frente ampla”) e até gastaram rios de dinheiro, para colocar o comando dos atos, no comando da vontade popular, gente alheia à luta do povo,  que se opõe ao que quer o povo. Mais uma vez não tiveram êxito.

Procuram impor às vítimas que elas deveriam aplaudir e se confraternizar com seus algozes. Que os servidores públicos, por exemplo, deveriam bater palmas para o PSDB, DEM e seus satélites (como Cidadania e Solidariedade) que votam pela degola de 12 milhões de servidores públicos e pela destruição dos serviços públicos, tanto em nível federal, junto com os bolsonaristas, como nos Estados, onde Doria, Leite, Ibanes e Cia. encaminham cópias das “reformas” que Guedes e Bolsonaro procuram impor no plano nacional. 

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Combinaram que os militantes do movimento popular deveriam bater palmas para Ciro Gomes e outros defensores e praticantes da política de privatização da água e de apoio ao aumento da repressão policial contra a população pobre e negra. Até herdeira de banqueiro, como “Neca” Setubal, colocaram para falar no super trio elétrico contratado para abafar a voz das ruas.

Mas milhares de “escravos” não quiseram fazer festa para os “coronéis” e escravocratas. Os representantes legítimos do povo lascado, não quiseram saudar os sanguessugas que vivem do sacrifício do povo trabalhador que, segundo o IBGE, tem quase 75% das famílias endividadas; mais de 120 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar e gente disputando ossos e restos de comida.

Partiram então para, mais uma vez, culpar as vítimas, o “povo ingrato” e as maiores entidades dos explorados como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), de longe a entidade com maior capacidade de mobilização do País e cujos sindicatos são os que mais podem agrupar e mais agrupam nos atos em todo o País, e contra as mais combativas organizações, algumas das quais – como o PCO – desde 2019, buscam mobilizar nas ruas pelo fora Bolsonaro, mesmo quando a maioria da esquerda frente amplista defendia o “fique em casa” e morra sem lutar! 

O “crime” cometido por eles: rejeitaram a política de submissão à direita que não quer mobilização nenhuma, que não quer tirar Bolsonaro, que não mobiliza ninguém (como ficou evidente nos atos fracassados do dia 12 de setembro) e que ainda quer continuar ferrando os trabalhadores.

Eles querem, de fato, paralisar a mobilização, dentre outros motivos porque a temem, tanto ou mais que Bolsonaro e porque sabem que – independentemente da vontade dos atores políticos – a revolta que se expressa nos atos e no dia a dia da população tem um eixo na situação política marcada pela proximidade das eleições de 2022, da qual estamos a menos de um ano de distância. Esse eixo é o apoio amplo, geral e majoritário (e muito!) à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República, como expressão da rejeição não só ao atual governo, mas a todas as “alternativas” que a direita gostaria de impor ao País, como a golpista “terceira via”.  

Chegou a hora de passar por cima de todas essas manobras.

Intensificar a luta pela democratização real do movimento, que precisa ouvir de fato o que dizem os ativistas, os trabalhadores e a juventude, nos seus locais de trabalho, estudo e moradia.

Contra a política de acordo de cúpulas distantes e opostas ao povo, plenárias e assembleias democráticas para dar uma nova direção ao movimento.

Contra a política de atos controlados, convocar amplamente ali onde o povo trabalhador está. Contra os gastos com os parasitas e inimigos do povo, usar os recursos das organizações populares para mobilizar milhões.

E convidar Lula para vir às ruas e fortalecer a mobilização. Eles que lamentem. É preciso abrir caminho para enfrentar e derrotar a ofensiva contra o povo.

O “fora Bolsonaro” é “Lula presidente”. É parte da luta por colocar abaixo todo o regime golpista e para edificar, por meio da mobilização do povo, um governo dos trabalhadores da cidade e do campo.

Para impulsionar esta perspectiva, nós do PCO, junto com os Comitês de Luta e muitos outros setores que vêm integrando nos atos o Bloco Vermelho, classista e combativo, estamos convocando para os dias 30 e 31 d outubro próximos uma Plenária Nacional por Fora Bolsonaro e Lula presidente.

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